Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Navio hidrográfico abrigou prisioneiros da ditadura em Rio Grande

A função do Canopus era isolar autoridades e intelectuais suspeitos de conspiração

Navio hidrográfico abrigou prisioneiros da ditadura em Rio Grande Acervo Última Hora/Agencia RBS
Canopus-H22 percorria o litoral do Estado quando recebeu
ordem de ancorar para ser usado como prisão em 1964.
(Foto: Acervo Última Hora/Agência RBS)

Até um navio de pesquisas marítimas serviu como prisão para os que se opuseram à ditadura militar. Em abril de 1964, logo após o golpe que depôs o presidente João Goulart, a embarcação Canopus-H22, da Marinha do Brasil, ancorou no porto de Rio Grande com a missão de trancafiar 19 prisioneiros políticos.

Construído em 1958 pelo estaleiro japonês Ishikawajima (Tóquio), o Canopus — referência à constelação que tem o formato de uma quilha — fazia levantamentos científicos na costa gaúcha, de Torres a Chuí, quando foi deslocado com urgência para Rio Grande. Com 78 metros de comprimento e capacidade para 1,9 mil toneladas, era comandado pelo almirante Maximiano da Fonseca, que depois foi ministro da Marinha no governo de João Figueiredo, o último dos militares, entre 1979 e 1985.

Há versões opostas sobre se os prisioneiros foram torturados dentro do Canopus na cidade portuária, que não teria celas nem equipamentos de suplício. O jornalista e escritor Willy César Ferreira, que pesquisou o episódio para um livro sobre a história de Rio Grande — a ser lançado em 2015 —, não encontrou registros de violências e agressões. Observa que os tripulantes eram militares e cientistas, e não interrogadores treinados para arrancar confissões por meio de métodos cruéis.

— As pessoas foram bem tratadas, dentro do possível. Ninguém lá era torturador — afirma.

A utilização do Canopus como prisão móvel foi um dos tantos erros da ditadura. Willy César destaca que o navio "foi demonizado" por ser envolvido na repressão. Não era uma nave de combate ou defesa, somente de pesquisas, para coletar dados do litoral e sinalizar hidrovias.

Um dos detidos na embarcação foi o vereador e capitão Athaydes Rodrigues, já morto. Apontado como agitador comunista, foi preso na casa onde morava, em Rio Grande, assim que ocorreu o golpe de Estado, e levado ao tombadilho do Canopus.

Nando Ribeiro, atual vereador na cidade pelo PC do B, assegura que Athaydes padeceu dentro do Canopus — ao contrário de outras interpretações. Conta que, para não enlouquecer no porão do navio, escreveu um livro intitulado Como Calcular com Rapidez, para exercitar suas habilidades em matemática.

— Depois, ele escreveu outro livro, Agora Eu!, onde conta todos os tormentos passados no Canopus e na prisão em Porto Alegre, para onde foi deslocado — diz Ribeiro.

Cidade era estratégica por ser porto marítimo

A ditadura se preocupava com Rio Grande em função de ser a sede do único porto marítimo do Estado. Tanto que virou área de segurança nacional, sendo governada por interventores até o final do regime militar. O alvo de 1964 era o prefeito Farydo Salomão, simpatizante declarado de Leonel Brizola e João Goulart. Nesse ponto da história da cidade, também há divergências. Willy César garante que Salomão não foi encarcerado no navio hidrográfico.

— Ele recebeu voz de prisão e foi conduzido por um major até a Capitania dos Portos. Isso sepulta de vez a lenda urbana de que Farydo fora levado para o Canopus — declara o pesquisador.

A função do Canopus era isolar autoridades e intelectuais suspeitos de conspiração. O vereador Nando Ribeiro diz que não queriam misturá-los com os demais prisioneiros comuns, detidos em terra, porque teriam influência sobre eles.

— Temiam que eles pudessem fazer uma rebelião, estimular um movimento dentro do presídio — diz o parlamentar. 

Altamente politizados e adeptos de Brizola, líderes ferroviários também acabaram na embarcação oceanográfica. Numa dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Lidiane Elizabete Friderichs localizou quatro deles. O ferroviário Miguel Gomes, na época vice-presidente do PTB de Rio Grande, narrou como foi a prisão: 

— Nos levaram numa lancha para o Canopus. Estivemos 30 e poucos dias lá. Daí nos trouxeram para o quartel da Brigada, porque esse navio tinha que zarpar para o Rio de Janeiro. 

O Canopus zarpou de Rio Grande no final de abril de 1964. Não se sabe qual foi a tarefa seguinte. Foi aposentado em 1997, após 39 anos de serviços prestados — um deles constrangedor para a biografia que inclui 126 expedições hidrográficas e mais de 658 mil milhas navegadas.

Fonte: Zero Hora, Mapa do Cárcere.

terça-feira, 9 de junho de 2015

São José do Norte - Executivo pleiteia melhorias na qualidade do transporte aquaviário

O vice-prefeito Francisco Xavier e a secretária-geral de Governo, Juliana Castro, foram recebidos pelo diretor superintendente da Metroplan, engenheiro Pedro Bisch Neto, na sede da Fundação. 

Presidente da Metroplan, Eng. Pedro Bisch Neto, recebe prefeito de SJN.

A melhoria do transporte aquaviário de passageiros entre São José do Norte e Rio Grande pautou o encontro, no qual os representantes do Executivo protocolaram relatório fotográfico que evidencia a situação enfrentada pelos munícipes que dependem do serviço. 

Diante da importância de uma solução para esse problema, o diretor deverá reunir a equipe na busca de uma situação emergencial, que poderá ser o lançamento de novo edital de licitação, considerando o aumento da demanda.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Canal São Gonçalo - Barragem do Centurião

BARRAGEM ECLUSA DO SÃO GONÇALO

Localizada na extremidade nordeste do Canal São Gonçalo, distante 3 Km da Cidade de Pelotas, a Barragem-Eclusa foi construída com a finalidade de evitar a intrusão de água salgada na Lagoa Mirim, assegurando assim a qualidade das águas e um melhor aproveitamento dos recursos naturais.

Em operação desde março de 1977, a Barragem consta de estrutura transversal ao Canal São Gonçalo, com 245 m de comprimento, construída em paredes diafragma e superestrutura de concreto armado. Possui 18 comportas basculantes, com 12 m de largura e 3,20 m de altura, assentes sobre uma viga soleira.

Na margem esquerda do Canal, foi construída uma Eclusa, com 120 m de comprimento, 17 m de largura e 5 m de profundidade. Nas duas cabeceiras estão localizados os portões basculantes com 17 m de largura e 8 m de altura, bem como as comportas de by-pass que equalizam os níveis dentro da Eclusa permitindo a passagem das embarcações em quaisquer circunstâncias. 

Imagem de Satélite: www.popa.com.br

Nota do Editor 

As dimensões da eclusa são determinantes para a fixação das dimensões máximas das embarcações e, em consequência, do calado a ser adotado na hidrovia (dragagem).

A manutenção e a operação rotineira da barragem consomem anualmente R$ 180 mil. Em dezembro de 2002, após 23 anos desde sua entrada em operação, iniciou-se uma obra de manutenção corretiva parcial, com recursos do Ministério da Integração Nacional, no valor de R$ 300 mil. Encontra-se, também, em elaboração um novo Plano de Manutenção, com caráter preditivo e preventivo, e um Plano de Operação de Comportas, ambos visando garantir melhores condições de segurança e racionalização dos processos envolvidos.


Foto: Valery Pugatch

INTRUSÃO DE ÁGUAS OCEÂNICAS

O Canal São Gonçalo, com 76 Km de comprimento, aproximadamente 250m de largura e 5m de profundidade interliga as lagoas dos Patos e Mirim.

A Lagoa dos Patos, no litoral do Rio Grande do Sul, com uma superfície de 10.000 km², comunica-se permanentemente com o Oceano Atlântico através da Barra do Rio Grande.

Foto: Valery Pugatch

Mais ao Sul do Estado, banhando terras brasileiras e uruguaias, encontra-se a Lagoa Mirim, terceiro lago em extensão da América do Sul, ocupando uma superfície de 4.000 Km². Sua Bacia Hidrográfica tem uma área de 62.500 Km², onde vivem cerca de um milhão de habitantes, numa região em que o cultivo de arroz irrigado é uma importante atividade econômica.

Nas estiagens, geralmente entre o período de dezembro a maio, o nível das Lagoas baixa demasiadamente, permitindo a entrada da água salgada do oceano na parte sul da Lagoa dos Patos. Nessas condições o sentido da corrente na Canal São Gonçalo é invertido e a água salgada penetra em direção a Lagoa Mirim, tendo alcançado em 1946 o Porto de Santa Vitória do Palmar , no extremo sul da Lagoa.

BENEFÍCIOS 

Utilização da riqueza potencial da região - excelência e extensão de terras planas e considerável volume de água doce.
Garantia da preservação da qualidade da água para o uso humano, agrícola e industrial. 
Futuro abastecimento de água para Pelotas. 
Irrigação de 170 mil ha de arroz em terras brasileiras e uruguaias.
Abastecimento de água para a cidade de Rio Grande - único porto marítimo do Estado do Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência da Lagoa Mirim

terça-feira, 2 de junho de 2015

Jaguari - Laudos de engenheiros não foram considerados pelas autoridades, e a ponte caiu ...

Em laudo, engenheiro disse que era necessário restringir passagem de veículos acima de três eixos sobre a ponte 

Bitrem que caiu possuía nove eixos


O prefeito de Jaguari, João Mário Cristofari, garantiu, na segunda-feira, que nunca foi notificado de que seria necessária uma restrição quanto à passagem de veículos e de carga sobre a ponte. Ele afirmou, ainda, que a ponte recebia manutenção regularmente. De acordo com a promotora de Justiça do município, Luiza Pinto Trindade, o Ministério Público (MPE) acompanha a situação estrutural da ponte desde 2011, já que se trata de um patrimônio histórico para a cidade. Segundo ela, o MPE instaurou um inquérito para pedir explicações à prefeitura sobre as medidas de manutenção necessárias à conservação da ponte.

Em laudo, engenheiro disse que era necessário restringir passagem de veículos acima de três eixos sobre a ponte Ronald Mendes/Agencia RBS
Foto: Ronald Mendes/Agência RBS

A pedido do MPE, a prefeitura apresentou, em janeiro de 2014, um laudo técnico, feito pelo engenheiro Eduardo Rizzatti, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que concluía que "a ponte não apresentava risco estrutural, desde que realizados os serviços e delimitações descritos". No documento, o engenheiro apontava, entre outras coisas, "a necessidade de restringir a capacidade de carga da mesma para caminhões de até três eixos". Para a promotora, não havia indicação do que precisava realmente ser feito:

— No laudo, dizia que a ponte estava em condições viáveis e não apresentava riscos estruturais. Mas o engenheiro fez sugestões do que poderia ser melhorado. Entre os apontamentos, constava que fosse limitado o tráfego de veículos de até três eixos (o bitrem que caiu tinha nove eixos). Isso foi uma sugestão, mas não foi indicado que precisava realmente ser feito (?).


Luiza diz que o MP seguiu acompanhando a situação e determinou que uma nova vistoria fosse feita, dessa vez, por órgãos técnicos do próprio MP. 

 — Em novembro do ano passado, o engenheiro André Antônio Barth, da Divisão de Assessoramento Técnico do Ministério Público Estadual, esteve aqui em Jaguari para a nova vistoria. O engenheiro complementou o laudo feito no início de 2014 e concluiu que não havia risco iminente, a curto prazo. Por isso, nenhuma medida foi tomada à época — esclarece a promotora. Ainda conforme Luiza, a prefeitura será obrigada a apresentar novo laudo técnico da vistoria. O "Diário" tentou contato com os dois engenheiros durante a tarde de segunda-feira, mas não conseguiu encontrá-los.


Fonte: Diário de Santa Maria, Rio Jaguari.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Logística - Aliança Navegação aposta nas cargas pesadas *

Empresa afretou uma embarcação especializada na movimentação de itens ligados ao segmento de infraestrutura

Cargas especiais, da área de infraestrutura, de segmentos como o de energia, mineração e petróleo e gás são o novo alvo nas operações de cabotagem da Aliança Navegação e Logística, e o Rio Grande do Sul está dentro desse cenário. Nesse domingo, a embarcação Aliança Energia deixou o porto da Capital gaúcha com destino a Rio Grande com nove transformadores produzidos na unidade da Alstom, localizada em Canoas. Posteriormente, nesta semana, o navio seguirá para Belém, no Pará.

Dois dos equipamentos mais pesados, cada um com 260 toneladas, foram embarcados em Porto Alegre, e os outros setes seriam colocados no navio em Rio Grande. Esses últimos aparelhos, de menor porte, seguiram para a Metade Sul do Estado através de uma barcaça, para depois serem postos no Aliança Energia. O gerente de Cargas de Projeto da Aliança Navegação e Logística, Angel Millán, explica que a operação teve que ser feita dessa forma devido às limitações do calado na Capital (profundidade de 5,18 metros). Também foram posicionadas, ainda em Porto Alegre em vez de Rio Grande, as peças de maior porte dentro do navio para diminuir os riscos.

Os transformadores têm como destino final as usinas de Belo Monte (Pará) e Santo Antônio (Rondônia). Para tornar a operação mais lucrativa, a Aliança completará o carregamento com outros itens, como mais transformadores e pás eólicas, em Santos, que também seguirão para o Norte e Nordeste do País. Millán calcula em cerca de 15 dias a conclusão do trajeto completo.

Dois transformadores, com 260 toneladas cada, já foram embarcados
(Foto: Fredy Vieira/JC)

O executivo admite que existem algumas dificuldades para convencer os clientes das vantagens em escolher o transporte aquaviário. Entre os benefícios, o dirigente cita, por exemplo, a menor possibilidade de avarias. Millán argumenta que as empresas acostumaram-se com o aproveitamento do modal rodoviário, e sair da rotina não é algo fácil. Mas, pouco a pouco, as companhias vão avaliando novas opções. A Aliança começou o serviço de cabotagem para o setor de cargas de projeto no ano passado. Além dos equipamentos para a geração elétrica, já deslocou componentes como partes de uma plataforma de petróleo.

As principais rotas que serão feitas pelo Aliança Energia serão de Rio Grande a Belém e da Bacia Amazônica ao Uruguai e Argentina?. O afretamento da embarcação foi fechado por três anos. O navio conta com três guindastes, que, somados, têm capacidade para içar até 800 toneladas. O porão, com 70 metros de comprimento, permite colocar enormes cargas. A embarcação também possui flexibilidade para operar em pequenos calados e atuar tanto na hidrovia (água doce) como no mar. O navio, com comprimento de 166 metros, tem capacidade para transportar aproximadamente 19 mil toneladas. Millán adianta que, a atividade sendo bem-sucedida, a Aliança cogita afretar uma segunda embarcação para realizar o serviço.

O executivo prevê que novas operações semelhantes a essa serão feitas a partir de Porto Alegre. O cais utilizado para o embarque dos transformadores encontra-se em uma área próxima à rodoviária, que anteriormente estava sendo preparada para a instalação de um estaleiro das empresas Ecovix e Irigaray, algo que acabou não acontecendo.

* Jefferson Klein

Fonte: Jornal do Comércio.