Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ministério dos Transportes quer Vieira fora da Codesp após prisão na Operação Porto Seguro

A repórter de política do Estadão, Julia Duailibi, informa que o Ministério dos Transportes enviou ofício nesta terça-feira (27) à Companhia Docas de São Paulo (Codesp) pedindo a destituição de Paulo Rodrigues Vieira do Conselho de Administração (Consad) da entidade. Para isso, seria necessária a convocação de uma assembleia extraordinária do Consad.

Vieira é ex-diretor da Agência Nacional de Águas (Ana) e está nos holofotes do noticiário nacional após ter sido preso na Operação Porto Seguro. Embora tenha sido indicado pelo PT, o seu assento na Codesp faz parte da cota do Ministério dos Transportes, um feudo do PR desde o início do Governo Lula.

Paulo Rodrigues Vieira ocupou diversos cargos na esfera federal

A jornalista Duailibi lembra, ainda, que Vieira já foi presidente do Conselho Fiscal da administradora do Porto de Santos, o principal do País.

A procuradora da República, Suzana Fairbenks, que coordenou a investigação no Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, afirmou que Paulo Rodrigues Vieira, juntamente com o seu irmão Rubens Carlos Vieira, ex-diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), "não param de cometer crimes".

A declaração que a procuradora deu à Agência Brasil é bastante enfática: “A documentação dos autos é muito característica. Eles não param de cometer crimes, a polícia até usa essa expressão quando pede as prisões. O fundamento é: eles simplesmente não param de cometer crimes. E foi o que a gente percebeu. É o tempo inteiro, é o modus operandi deles, está na vida deles, eles só fazem isso o tempo inteiro”.

Fonte: Portogente, Dia-a-Dia.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Australiano bate recorde de velocidade da navegação a vela

Voando pela água

O australiano Paul Larsen bateu o recorde mundial de velocidade em um barco a vela.


A marca é de 63,5 nós, o equivalente a 117 km/h.

De acordo com ele, a velocidade média foi de 59 nós (cerca de 109 km/h) durante o percurso de 500 metros.

Ele tentava quebrar o recorde mundial de velocidade de uma embarcação a vela há dez anos.

O australiano "voou pelas águas" a bordo do Vestas Sailrocket 2.

Veleiro tentará quebrar
O Sailrocket  foi baseado em um projeto desenhado há mais de 40 anos, embora 
utilize os materiais mais modernos em sua construção. (Imagem: Vestas)

"Barreira do som" aquática

Embora construído com base em um projeto feito há mais de 40 anos, o barco foi seguidamente aprimorado com o objetivo de superar a marca de 55,65 nós, equivalente a 103 quilômetros por hora, estabelecida em 2010 por Rob Douglas, dos Estados Unidos.

"Passar de 50 para 60 nós é como quebrar a barreira do som," afirmou Larsen quando ainda se preparava para o feito.

O australiano foi até a baía de Walvis, na Namíbia, em busca de fortes ventos para a realização da façanha.

O grande desafio dos recordes de navegação a vela é que tanto a pista quanto a propulsão mudam continuamente.

Apesar da façanha longamente esperada, o Conselho Mundial de Recordes a Vela destacou em sua página na internet que já existe outra alegação de superação da velocidade de Larsen em análise.

FonteInovação Tecnológica.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Rio Grande - Operação Pandora encontra drogas e armas em sindicatos da área portuária

Todo material apreendido foi encontrado nos armários 
dos dois sindicatos. (Foto: Fabio Dutra/JA)

Na tarde desta quinta-feira, 22, a Polícia Civil realizou uma megaoperação na região portuária do Rio Grande. A ação foi batizada como Operação Pandora. Foram utilizados 100 policiais civis de diversas localidades da região Sul e cinco delegados, sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão em dois sindicatos locais, Sindicato dos Estivadores do Rio Grande e Sindicato dos Arrumadores do Rio Grande e São José do Norte.

A operação foi realizada pela Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), e coordenada pelo delegado Ronaldo Vladimir Coelho. A ação também contou com a participação de mais quatro delegados, policiais civis de todas as delegacias da cidade e mais o reforço de agentes dos municípios de Pelotas, Camaquã e Bagé, contabilizando ao todo 100 policiais civis e mais de 20 viaturas.

Segundo o delegado Ronaldo, a operação teve como objetivo localizar armas e drogas nas instalações dos sindicatos, bem como nos armários dos funcionários.

O delegado relatou que as investigações que culminaram nesta operação, realizada nos dois sindicatos, tiveram início há cerca de dois anos. Neste período, os agentes da Defrec passaram a colher evidências e provas que ligassem e comprovassem a venda e circulação de drogas em ambas as associações.

Com base nas provas obtidas, foi solicitado ao Poder Judiciário mandados para os dois sindicatos.

No início da tarde de quinta-feira, 22, distribuídos em equipes, sendo cada unidade coordenada por um delegado, os agentes seguiram para as dependências das associações.

Dando início a operação, os policiais passaram a abrir todos os armários encontrados nos dois sindicatos. Durante a ação, os agentes encontraram cinco revólveres de vários calibres, farta munição para as armas, e munição calibre 44 e 45 restritas de uso militar, duas balanças de precisão, 2,8 quilos de maconha distribuídas em vários tijolos de diversos tamanhos e pesos, 2,250 quilos de cocaína e 3,5 gramas de crack. "Consideramos o resultado obtido na ação satisfatório, pois o Estado se fez presente em um local que a população sempre achou que era intocável", salientou o delegado Ronaldo.

O delegado também informou que apenas um homem foi preso em flagrante, A.F.P., de 67 anos. Em seu armário foram encontrados R$ 7 mil e cerca de 497 gramas de maconha.

Além das drogas e das armas, os agentes também apreenderam dois computadores, um de cada associação, que possuem imagens que serão analisadas.

Para finalizar, o delegado informou que os dois presidentes dos sindicatos deverão comparecer na Defrec, para prestarem depoimento.

Por Patrick Chivanski patrick@jornalagora.com.br

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Entorpecentes

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CCMar/FURG - Barco construído por alunos carentes é lançado à água em Rio Grande

Rafael Diverio
rafael.diverio@zerohora.com.br

Barco servirá para adestramento dos cursos promovidos pelo CCMar

A embarcação foi totalmente montada por alunos do curso de Marcenaria Naval do Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A solenidade de lançamento da embarcação ao estuário da Lagoa dos Patos foi organizada pelo diretor do Museu Oceanográfico, Lauro Barcellos. Resgatando as tradições seculares gregas, foi cercada de simbolismos náuticos e históricos.

Fonte: Zero Hora, 21-11-2012.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rio Grande - Praticagem resgata veleiro alemão fora da Barra

Na última sexta-feira, 16, um resgate teve que ser feito a um veleiro próximo aos Molhes da Barra do Rio Grande. O veleiro “Iracema”, de bandeira alemã, com três tripulantes, estava fazendo “água aberta” com risco de naufragar e precisou ser socorrido. Ao todo, oito profissionais da Praticagem da Barra - entre operadores da Pilot Station, tripulação de lancha e práticos - estiveram envolvidos na operação. 

Lancha da Praticagem rebocou o veleiro alemão para águas seguras
(Foto: Divulgação/Praticagem da Barra)
Por volta do meio dia, a Praticagem da Barra foi acionada pela autoridade marítima local para prestar serviço de salvaguarda da vida humana no mar. Após a solicitação, uma lancha da praticagem foi deslocada para a posição da embarcação, que se encontrava fora da barra do porto de Rio Grande. 

Alguns minutos depois uma segunda lancha de praticagem chegou ao local para rebocar o veleiro para águas tranquilas, enquanto a primeira lancha seguiu para embarcar um prático no navio GasChem Atlantic. O veleiro foi rebocado até o Terminal de Contêineres - Tecon, na área do Super Porto, quando então foi repassado a uma lancha da Capitania dos Portos, com destino final ao Yacht Club do Rio Grande. Toda operação ocorreu sem interrupção da programação do porto.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Resgate

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Píer de Ipanema deve ficar pronto até início de dezembro

Deve ficar pronto até dezembro o píer flutuante, junto à orla do bairro Ipanema, que irá criar uma nova alternativa de embarque e desembarque de passageiros para os barcos de pequeno e médio porte que fazem passeios turísticos nesta região da orla do Lago Guaíba.

As obras foram visitadas, nesta quarta-feira (14), pelo secretário municipal de Turismo Luiz Fernando Moraes, e pela presidente da Associação do Turismo Náutico (Atun-RS), Adriane Ebling. Na ocasião, eles receberam da Cooperativa Good Cooper, empresa responsável pela execução da obra, a confirmação de que o equipamento estará pronto no início do próximo mês.

Instalação da estrutura do píer para embarcações está em andamento.
Foto: Divulgação/PMPA/JC

"Já para o verão que se aproxima teremos à disposição dos visitantes e porto-alegrenses maior oferta no turismo náutico nesta região privilegiada da orla com passeios diferenciados", afirmou o secretário.

A etapa em andamento atualmente é a instalação dos cabos subterrâneos para levar energia até o píer, que será iluminado em toda sua extensão, de 20 metros, e a colocação das 12 estacas que sustentarão o equipamento dentro d’agua. Seis delas já estão fixadas.

A presidente da Atun-RS antecipou que os passeios com saída do píer de Ipanema serão realizados por três embarcações. Uma delas, o barco Travessia, realiza passeios há vários anos na região. Uma nova embarcação estará licenciada até o final deste mês, pronta para entrar no circuito dos passeios náuticos, e a terceira ficará pronta no final de dezembro.

Fonte: Jornal do Comércio, Transporte.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

P-58 é afastada do cais e manobrada para receber módulo

Plataforma foi afastada do cais e reposicionada para 
receber módulo número 7. (Foto: Leandro Carvalho)

Na manhã desta quinta, a movimentação da plataforma P-58 no canal do Porto Novo chamou atenção de quem passava pela Ponte dos Franceses, na BR-392. Conforme informações da assessoria da Quip S/A, a plataforma, que está em construção no canteiro de obras da empresa, foi desatracada para inversão de sua posição de junto ao cais. A manobra, na qual foram usados seis rebocadores, objetivou possibilitar o içamento e colocação do módulo número 7 no convés da unidade.

A manobra da P-5 começou no início da manhã e durou seis horas. Já a operação de elevação e colocação do módulo sobre o convés, denominada lifting, foi realizada à tarde, com uso do guindaste PTC 200 DS, o maior deste modelo no mundo. Outros vários módulos já estão sobre o convés da P-58. No total, essa plataforma receberá 23 módulos. Conforme José Roberto Fernandes dos Santos, gestor executivo da P-58, até o fim de novembro será concluído o processo de lifting dos 23 módulos, ou seja, todos estarão içados e posicionados no convés.

Santos também informou que foi iniciada a integração dos módulos já posicionados na plataforma. A construção da Plataforma P-58 é de responsabilidade da CQG Construções Offshore. A Quip S/A atua nesse projeto nas áreas de Engenharia e Suprimentos. A P-58 é uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês para plataforma flutuante que produz, processa, armazena e escoa petróleo) e irá operar no Campo de Baleia Azul, no Parque das Baleias de Campos, situado ao largo do litoral sul do estado do Espírito Santo (ES).

Esta plataforma terá capacidade de produção de 180 mil barris dia, 6 milhões de m³/d de gás e uma capacidade mínima de armazenamento de 1,6 milhão de barris de petróleo bruto.

Por Carmem Ziebell carmem@jornalagora.com.br

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Porto Novo

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Praticagem - Para os armadores, os custos dos portos brasileiros são os mais caros do mundo

O Brasil está prestes a mudar o centenário e milionário serviço de praticagem — que consiste no apoio para que navios cheguem aos portos com profissionais, os práticos, treinados para conduzi-los nos estreitos canais de acesso aos terminais. A Marinha reconhece que poderá dispensar, já a partir do ano que vem, a contratação do serviço de assessoria aos comandantes de navios habituados a certos terminais portuários.

Outra mudança efetiva poderá surgir de um comitê, que está sendo criado pelo governo para rever os altos custos, que, segundo os armadores, são até 1.000% superiores aos registrados em países vizinhos, o que compromete a competitividade nacional. Além disso, cria uma elite de cerca de 400 profissionais no País que, não raro, recebem até R$ 150 mil mensais, ou até R$ 300 mil mensais no Maranhão.

Empresários do setor de navegação afirmam que os custos dos serviços de praticagem nos portos brasileiros estão entre os mais altos do mundo. E citam o preço para atracar navio médio (de 20 mil a 30 mil toneladas) no porto de Paranaguá (PR): R$ 28.241,18 (pouco mais de US$ 14 mil), para operação que leva em média duas horas. Nos Estados Unidos, em portos com características próximas às de Paranaguá, dizem eles, como o de Brownsville, no Texas, no Golfo do México (também terminal de escoamento de grãos), o preço da atracação é de US$ 5.712 (cerca de R$ 11 mil). “Não queremos que os práticos ganhem mal, mas os valores que cobram aqui são estratosféricos”, diz um empresário, que não quis ser identificado. De acordo com os armadores, a diferença é ainda maior na comparação com portos chilenos: lá são cobrados US$ 1.287. Ou seja, o serviço brasileiro é 987% mais caro.

O Sindicato Nacional de Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) afirma que o custo da praticagem “afeta diretamente a competitividade das empresas”. Para atracar um navio no porto de Manaus, o preço dos serviços dos práticos, segundo os armadores, chega a R$ 250 mil. Eles podem ter de esperar três dias por um profissional. “Um prático, em média, ganha sete vezes mais do que o comandante de um navio. E não podemos dizer que a responsabilidade deles seja maior. Se o navio bate, mesmo na manobra, o responsável é o comandante, não o prático”, afirmou André Mello, um dos diretores do Syndarma.

No porto de Santos, o maior e mais movimentado da América Latina em contêineres, a praticagem é oferecida por uma única empresa, a Praticagem de São Paulo, uma sociedade de cotas que tem os próprios profissionais como sócios. A prática se repete pelo País. “Todo esse processo nós fazemos baseados na legislação; não é algo da nossa cabeça”, garante Paulo Barbosa, diretor-superintendente da Praticagem de São Paulo, rebatendo as acusações, que diz serem comuns, das companhias de navegação.

Ao todo, 52 práticos são responsáveis pela movimentação dos navios em Santos e no porto de São Sebastião (SP). Eles fazem, em média, 36 manobras de atracação e desatracação por dia. Na temporada de cruzeiros, o número chega a 60 manobras diárias. “Com a formação que temos hoje (52 práticos), daria para fazer até 180 manobras”, admite o diretor-superintendente.

Paulo Barbosa, afirma que os profissionais do setor se baseiam na 
legislação existente. (Foto: Reinaldo Marques/Agência O Globo/JC)

Barbosa, de 54 anos, é ex-oficial da Marinha Mercante e há 18 anos dedica-se à praticagem. Repórteres do jornal O Globo acompanharam a manobra de atracação de um navio com uma carga de veículos com bandeira de Cingapura e tripulação filipina, desde a barra do porto de Santos até o terminal. Com 190 metros de comprimento e capacidade para 47 mil toneladas, a embarcação foi comandada por Barbosa durante 1h30min até completar a atração. Pelo serviço, a empresa cobrou R$ 13.345,00.

Esses custos, porém, podem estar com os dias contados. Vai começar a funcionar um comitê, com Marinha, práticos, armadores, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e os ministérios da Fazenda e do Planejamento, para enfrentar o assunto. O vice-almirante Ilques Barbosa Junior, diretor de Portos e Costas, adiantou que o objetivo é diminuir os custos, sem abrir mão da qualidade e da segurança da operação. Segundo ele, em 2013, os primeiros comandantes habituados a determinados portos poderão dispensar os serviços dos práticos. Antes, precisarão passar por um teste. Essa possibilidade existia na legislação, mas nunca foi utilizada. “Esse tipo de crítica (sobre os custos) carece de dados mais sólidos, haja vista que as diversas organizações envolvidas no serviço de praticagem (entidades, autoridades, empresas e outros) diferem sensivelmente entre os países, que também têm legislações diversas”, afirma o vice-almirante.

“O que se pode afirmar é que os preços de praticagem, de uma maneira geral, são elevados no mundo inteiro. Além disso, pela legislação brasileira em vigor, os preços dos serviços de praticagem são negociados pelas partes interessadas, ou seja, praticagem e armadores. Em casos excepcionais, onde não haja acordo, é que caberá à autoridade marítima estabelecer um preço entre as partes”, diz Barbosa Junior.

Os práticos rebatem as críticas. Otávio Fragoso, diretor do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) e vice-presidente sênior da Associação Internacional de Praticagem (Impa, na sigla em inglês), afirma que a praticagem no Brasil não é mais cara que a média mundial. Ele diz que a FGV fez estudo, contratado pelo próprio Conapra, que prova que, em média, os custos de Santos, por exemplo, são 10% a 31% superiores à média mundial, o que seria, em grande parte, decorrente do câmbio. “Muitos afirmam que aqui é caro, mas não provam. Basta mostrar uma nota fiscal por um serviço em outro porto”, afirmou Fragoso, na sexta-feira passada durante a atracação de navio de contêineres de 260 metros no porto do Rio, oriundo da Ásia, que pagou R$ 8 mil pelo serviço, conduzido pelo prático Durvalino Ferreira. “Para navios brasileiros de cabotagem, o custo é muito menor, não chega a R$ 2 mil.”

Fragoso disse que o serviço é complexo, pois envolve o interesse público. Para ele, não se deve pensar em privatizá-lo. Seria o mesmo que fazer dos controladores de voo, empregados das companhias aéreas, compara. “Um comandante de navio pensa em milhas; nós, em metros. Eles são pilotos de ônibus; nós, de Fórmula-1.”

Ele também rebate críticas aos salários do setor. Diz que os práticos recebem pró-labore, de R$ 5 mil a R$ 18 mil. O restante é variável. Em um mês bom, receberiam até R$ 80 mil, diz Fragoso. “A discussão é infundada. Podemos discutir o valor da praticagem, mas, garanto que o preço brasileiro está na média mundial. E este preço não afeta a competitividade do País. Se reduzirmos os preços, o frete do navio vai cair? Garanto que não, há um oligopólio no setor.”

Memória

1808 - A praticagem começou no Brasil com a abertura dos portos, promovida por Dom João VI, no ano de 1808. Foram implantados os primeiros Serviços de Praticagem organizados no Brasil, que apresentavam características que ainda são preservadas até os dias atuais.

• 1889 - Primeira regulamentação dos práticos no Brasil, com decreto que definia e detalhava os serviços de praticagem. Foi quando ficou mais nítido que a praticagem seria vinculada à autoridade marítima, a Marinha.

 • Novos regulamentos e aperfeiçoamentos voltaram a ser publicados nos anos de 1926, 1940, 1959, 1961, 1986 e 1991, quando a autoridade marítima se desvinculou da atividade de forma definitiva.

• 1997 - Gustavo Franco, então presidente do Banco Central, afirmou em uma palestra que os práticos eram “os flanelinhas de navios”, abrindo uma discussão sobre o monopólio do serviço que acabou no Cade e que gerou um acordo do setor com os armadores.

Fonte: Jornal do Comércio, Praticagem

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Catamarã transportou 700 mil pessoas em um ano

Jessica Gustafson

A retomada do transporte hidroviário de passageiros na Região Metropolitana de Porto Alegre completou um ano nesta quarta-feira. A data marca os 12 meses de operação de Ana Terra e Carlos Nobre, os dois catamarãs que fazem a trajetória entre a Capital e o município de Guaíba. Neste período, a travessia de 14,5 quilômetros e com duração de 20 minutos foi realizada 10.930 vezes, transportando 701.320 passageiros, somando, assim, 158.485 quilômetros percorridos. “Isso representa mais de três voltas ao redor da Terra”, brinca o diretor de Operações do catamarã, Carlos Augusto Bernaud. 

Para o próximo ano, a CatSul, empresa que administra os barcos, colocará mais uma parada, em frente ao BarraShopping Sul, à disposição da população. O local está sendo construído em parceria com a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) e deve ficar pronto entre janeiro e fevereiro de 2013. Para suprir esta nova demanda, uma terceira embarcação será disponibilizada. 

O transporte naval foi esquecido por cerca de 50 anos, mas vem tendo boa receptividade em sua retomada. Em 1953, todos os dias cruzavam pelas águas do Guaíba mais de mil passageiros. O trajeto era feito por quatro barcas utilizadas na Segunda Guerra Mundial pelos Estados Unidos. Porém, nos anos 1960, com o estabelecimento da ligação entre Guaíba e a Capital por via rodoviária e com o grande incremento da indústria automobilística, a travessia por barcas foi desativada.

 

“Para a implantação do serviço, enfrentamos alguns desafios. Primeiramente, queríamos saber se a população iria aceitar e utilizar o modal. Essa dúvida foi respondida neste ano, com total aprovação da população”, explica Hugo Fleck, diretor-presidente da empresa. Segundo ele, outro problema encontrado foi o fim da cultura de utilização do modal e, com isso, o enfraquecimento da indústria naval. Em decorrência disso, a construção dos catamarãs é feita em parceria com outra empresa, somente para a utilização da CatSul. “Cada embarcação, com capacidade para 120 pessoas, custa em média R$ 2 milhões. Nós desenvolvemos todo o projeto de construção. Parte do equipamento é feita em Santa Catarina e a outra no Estado. Atuamos também em Santarém, no Pará, onde temos 12 barcos”, relata Fleck. A experiência no rio Amazonas, que já dura cinco anos, auxiliou na implantação dos barcos no Estado. 

Nesses 12 meses, apenas um atraso de quatro minutos foi constatado, o que trouxe confiabilidade ao serviço, principalmente para o trabalhador que cruza o trecho diariamente. Segundo o cálculo da administração, nesse período, em torno de 15 mil carros deixaram de circular entre as duas cidades. 

“Está sendo discutida com a Transurb a possibilidade de redução tarifária para o uso dos dois modais. Em setembro, teve início a integração com os ônibus em Guaíba”, afirma Bernaud. A CatSul já tem o projeto de implantar mais uma parada na Ilha da Pintada, sem data definida ainda, e também não descarta a possibilidade de criar mais rotas dentro da Capital.

Fonte: Jornal do Comércio. Transporte