Documentação Técnica

Documentação Técnica
* Engenharia de Dragagem, Sinalização Náutica, Batimetria, Projetos de Canais Navegáveis, Meio Ambiente, Cartas Náuticas, Software de Navegação, Topografia Básica e outros assuntos técnicos.

* Os leitores poderão ter acesso e fazer download do material na parte inferior desta página.

sábado, 31 de março de 2012

Desempenho Portuário - Sistema da Antaq é referência para elaboração de estatística aquaviária


O Sistema de Desempenho Portuário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), serviço que disponibliza, na internet, os dados de movimentação de cargas aquaviárias efetivadas por portos públicos e terminais de uso privativo (TUP), é referência para a elaboração de estatística aquaviária. O sistema é utilizado pelo Ministério dos Transportes e pela Secretaria de Portos (SEP) para formular políticas públicas e definir, com mais segurança, os investimentos no setor.

Os dados disponíveis no sistema, além de serem confiáveis, são atualizados de forma rápida. Atualmente, as estatísticas do mês de janeiro, por exemplo, já podem ser consultadas on-line no final de fevereiro”, explicou o gerente de Estudos e Desempenho Portuário da agência, Fernando Serra.

Entre os tópicos que podem ser encontrados no sistema de desempenho estão quantidade de cargas movimentadas, tempo de atracação, prancha média, informações sobre a navegação interior, de longo curso e de cabotagem, entre outros itens.

Para fazer todo esse levantamento, uma equipe formada por engenheiros, estatísticos e economistas se dedica exclusivamente ao sistema.

A Antaq e a SEP têm um acordo de cooperação. A Agência envia os dados para a secretaria, que os utiliza para suas análises, bem como na alimentação de seus sistemas próprios. “Isso é fundamental para a elaboração de políticas públicas, já que estabelece parâmetros dinâmicos e atualizados do comportamento do mercado, sempre tendo-se em conta que mais de 90% da movimentação de cargas no Brasil é feita em portos”, ressaltou Serra.

Para acessar o sistema, basta acessar "Desempenho Portuário", no portal da Antaq.

Fonte: A Tribuna, Santos/SP.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Navios Paraguaios - Sucatas de navios do cais da Capital são leiloadas por R$ 1 milhão

Comprador deve retirar material do cais em até quatro meses, e vender sucata a fundições.

Sucatas de navios do cais da Capital são leiloadas por R$ 1 milhão Cristiane Franco/Superintendência de Portos e Hidrovias,divulgação
Navio Mariscal José Felix Estigarribia foi arrematado por R$ 367 mil
Foto: Cristiane Franco/Superintendência de Portos e Hidrovias

Na manhã desta sexta-feira, a Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado (SPH) realizou o leilão dois navios que estavam atracados há 15 anos no cais central de Porto Alegre. Sob bandeiras paraguaias, as embarcações Mariscal José Felix Estigarríbia, arrematada por R$ 367 mil, e General Bernardino Caballero, R$ 645 mil, renderão, aproximadamente, quatro toneladas de aço para a empresa porto-alegrense Riosul Comércio de Aços e Metais.

— Nós vamos desmanchar os dois navios e mandar a sucata para a fundição — conta Ricardo Souza, que está no ramo há 25 anos e representou a vencedora no leilão.

Das oito empresas que participaram do certame, apenas a vencedora apresentou proposta. Segundo o diretor superintendente da SPH, Pedro Homero Flores Obelar, a previsão é que os navios desocupem a área das docas, no máximo, em quatro meses.

— Hoje vencemos uma batalha de 15 anos. A população gaúcha já não precisa mais se preocupar com isso, os navios sairão do cartão-postal porto-alegrense até julho deste ano— comemorou o superintendente.

Fonte: Zero Hora, 30-03-2012. Cais desocupado

TCU aponta desperdício de recursos no Ministério da Pesca

Vinte e três de um total de 28 lanchas compradas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) por R$ 31 milhões estão inoperantes e em risco de entrar em processo de sucateamento. Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) apontou o desperdício de recursos públicos e mostrou ainda que foram compradas lanchas patrulhas para uso em uma atividade na qual não tem competência legal para atuar.

O relatório da auditoria mostra graves falhas no planejamento das aquisições, ocorridas entre dezembro de 2008 e março de 2011. O ministério deixou de negociar previamente parcerias necessárias para garantir a operacionalização das embarcações, não considerou alternativas menos onerosas para realizar a fiscalização da pesca ilegal e superestimou os quantitativos a serem adquiridos. Segundo o documento, o MPA "não fazia um planejamento do que comprar, para que comprar, e em que quantidade comprar. Tampouco se avaliava a efetividade das compras já realizada".

O TCU apontou ainda restrições ao caráter competitivo em dois pregões para compra das embarcações, celebração de aditivos com fuga à licitação e ausência de pesquisa de preço. Foram constatados ainda pagamentos antecipados à empresa Intech Boating por serviços que sequer tinham sido prestados até o fechamento do relatório de auditoria, em outubro de 2011. "Somadas aos respectivos aditivos, as avenças ultrapassam R$ 31 milhões, o que fez da Intech Boating Comércio de Embarcações Ltda. a segunda maior beneficiária de empenhos do MPA no ano 2010, atrás apenas da Petrobras".


O ex-ministro Altemir Gregolin foi notificado a apresentar defesa no prazo de 15 dias ou recolher R$ 639 mil por conta de superfaturamento num dos aditivos contratuais. O valor total do prejuízo ainda será avaliado. Mas em um dos pontos do relatório, o TCU aponta que cada uma das cinco primeiras lanchas adquiridas custou ao MPA R$ 1.256.272,01. Segundo o relatório, irregularidades na escolha do processo licitatório teriam levado a um sobrepreço, fazendo o ministério gastar R$ 206.772,01 a mais em cada uma destas embarcações.

Lancha Seap-04, que custou mais de R$ 1 milhão,  
foi utilizada por apenas 42 horas desde 2009. 
Foto: Divulgação
Rio Grande

O acórdão exarado pelo TCU aponta, entre os responsáveis, o rio-grandino Dirceu Lopes, atual superintendente do Porto do Rio Grande, que também ocupou o cargo à época. Em janeiro de 2010, por exemplo, ele atuava como ministro substituto do MPA. Na decisão, os ministros do TCU pedem a citação de Lopes.

Dentre as responsabilidades de Dirceu Lopes apontadas pelo TCU, está a requisição de novo processo licitatório visando à fabricação de mais 23 lanchas patrulhas, deixando de aguardar prazo suficiente para avaliar a efetividade das aquisições das cinco primeiras lanchas, as quais deveriam ser um projeto piloto para a utilização desse tipo de embarcação no combate à pesca ilegal.

Em 2009, Rio Grande recebeu uma das lanchas, que foi entregue pelo gerente comercial da empresa Intech, diretamente a Dirceu Lopes, então secretário-executivo do MPA. Mas a auditoria do TCU aponta que até mesmo a escolha do Rio Grande como município a receber a embarcação teria sido irregular. Segundo os ministros, o edital definiu que as lanchas deveriam ser entregues em Belém (PA) e São Luiz (MA), mas quatro delas acabaram parando em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, sendo uma destas para a cidade do então secretário-executivo.

A lancha Seap-04, que veio para Rio Grande, segundo o TCU, estava operando com tripulação fornecida pelo próprio fabricante, para um período de apenas seis meses. Depois disso, de acordo com o relatório, a lancha saiu de operação, ficando inativa desde fevereiro de 2011. Anexo do relatório mostra ainda que a Seap-04 teria sido utilizada por apenas 42 horas, o que equivale a apenas 2% do uso esperado. Atualmente, das 28 lanchas licitadas, somente cinco estão em operação.

Procurada, a Capitania dos Portos, que teria ficado com a guarda da lancha Seap-04, não quis prestar informações. Quem atendeu a ligação, que se identificou apenas como "contra-mestre de serviço", disse que não havia ninguém disponível no momento para falar se a lancha estava ou não em operação, e quais as condições de manutenção da mesma.

O superintendente do Porto do Rio Grande, Dirceu Lopes, disse não concordar com as acusações do TCU. Ele explicou que havia a necessidade de dotar os órgãos fiscalizadores da estrutura para combater com eficiência pesca predatória em toda a costa brasileira. Ele afirmou também que estranha a divulgação do relatório na imprensa pelo TCU, já que o próprio Tribunal concedeu 15 dias às pessoas citadas para que fizessem as suas defesas. "O TCU está nos prejulgando, antes mesmo de nos defendermos. Como acreditar que haverá lisura na condução do restante do processo?", questionou.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Tribunal de Contas

quinta-feira, 29 de março de 2012

Operário morre após ser atingido por portão de ferro no Cais do Porto

Acidente ocorreu no armazém C-6 do Cais do Porto
Foto: Mateus Bruxel/Agência RBS

Roberta Schuler
roberta.schuler@diariogaucho.com.br

Um operário de uma empresa de fertilizantes morreu após ser atingido por um portão de ferro no armazém C6 do Cais do Porto, em Porto Alegre, hoje, por volta das 11h.

De acordo com os bombeiros, uma esteira mecânica, que estava sendo retirada do local por outro operário, Orlando Wally, derrubou a estrutura, que pesa aproximadamente uma tonelada, e caiu em Amauri Domingues Filho, 39 anos.

O Corpo de Bombeiros e o Samu tentaram reanimar o trabalhador, mas ele não resistiu e morreu devido à uma parada cardíaca. A área foi isolada para o trabalho dos peritos.

Fonte: Zero Hora, 29-03-2012. Acidente de Trabalho

Novo equipamento faz a dragagem do arroio Dilúvio

Uma nova escavadeira hidráulica, com braço de longo alcance, está dragando o arroio Dilúvio. A troca de equipamento pelo Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) foi necessária em função da construção da ciclovia na margem do arroio, na pista para o bairro da avenida Ipiranga. O antigo serviço de dragagem utilizava as duas margens do Dilúvio para o acesso de máquinas e caminhões, o que causaria interferência no funcionamento da ciclovia.

O novo equipamento fará a dragagem com melhor desempenho que a draga a cabos, pois trabalhará dentro da calha do Arroio, e tem condições de trabalhar na margem também, utilizando apenas uma das margens do Dilúvio para executar os serviços. Diversos pontos do Dilúvio terão acesso para a entrada e a saída do equipamento.

DEP utiliza novo equipamento na dragagem do Arroio Dilúvio 
Foto: Bruna Goulart/Divulgação PMPA

Uma das vantagens desta máquina é que a escavadeira fará o carregamento do material para os caminhões, sem a necessidade de outro equipamento. A outra vantagem é que essa escavadeira tem condições de trabalhar dentro da calha do Arroio, não sendo necessária a utilização das duas margens, evitando interferência com a ciclovia que está sendo construída pela prefeitura.

Dragagem - O DEP executa a dragagem permanente do leito do arroio Dilúvio na avenida Ipiranga desde outubro de 2006. Nesse período foram retiradas mais de 283,5 mil toneladas de material e entulhos como pneus, garrafas e móveis. A draga que trabalha no leito do Dilúvio está agora na avenida Ipiranga, perto da Puc.

A dragagem do leito do Dilúvio é necessária para facilitar o escoamento das águas das chuvas em direção ao Guaíba, evitando o transbordamento do arroio e alagamentos. O trabalho é feito ao longo dos quase 12 quilômetros de extensão do Dilúvio e consiste na remoção do sedimento acumulado devido à grande quantidade de despejo que os afluentes descarregam no arroio.

Fonte: Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Portal PMPA

quarta-feira, 28 de março de 2012

1.ª Feira do Polo Naval - Seminário discutiu futuro da indústria de construção naval brasileira

Prolongar os efeitos do surto de industrialização provocado pelo Polo Naval não apenas em Rio Grande, mas em todas as regiões do País em que houve investimentos. Esta foi a questão apresentada por especialistas durante o painel Desafios Tecnológicos – Naval e Offshore, que integrou a programação do Navtec na sexta-feira, 23. A resposta? Investimento em educação, pesquisa e tecnologia. Com esses elementos, será possível manter a indústria naval competitiva mesmo depois de serem entregues todas as encomendas da Petrobras e de o ciclo de exploração do petróleo entrar em declínio.

Comparando a indústria naval, já instalada no Brasil, com as concorrentes asiáticas, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Floriano Martins Pires afirmou que, antes de a demanda diminuir, o País precisa garantir a longevidade dessa indústria por meio de políticas específicas para o setor. Segundo ele, as principais ameaças são a ausência de políticas integradas para o incentivo da pesquisa e do desenvolvimento em tecnologia, a falta de mobilização da indústria para buscar as suas demandas e a dispersão dos recursos destinados à pesquisa e ao incremento do potencial de inovação.

Para Floriano, a indústria naval brasileira está ligada, neste primeiro momento, às encomendas feitas pela Petrobras, que exigem o conteúdo local como parte de seus projetos. Isto garante, no mínimo, 20 anos de trabalho. O problema é o final deste programa governamental. Caso o Brasil não seja competitivo com os demais estaleiros do mundo, as empresas nacionais serão engolidas pela concorrência. “O Estaleiro Ouhua, na China, demorou 18 meses desde o início de sua construção até a entrega do primeiro navio. Com programas de encomendas que demoram quatro, cinco anos, nossas perspectivas ficam comprometidas”, alertou Floriano.

Um dos entraves que ainda separa os polos navais brasileiros da eficiência dos principais estaleiros do mundo é a produção de tecnologia e inovação. Para se ter uma ideia, o Centro de Pesquisa do Estaleiro Hyundai, na Coreia do Sul, possui 150 pesquisadores, entre eles, 50 doutores – todos com as atenções voltadas para o desenvolvimento de soluções para aumentar a competitividade da construção naval.

Estaleiros coreanos Samsung trabalham em projetos de navios especiais
Foto: Divulgação/Samsung

A indústria naval brasileira, que foi praticamente sucateada a partir da década de 1980, possui atualmente quatro polos. O mais antigo e mais estruturado no Rio de Janeiro, o segundo colocado no Rio Grande do Sul e os demais em Pernambuco e Santa Catarina. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, os estaleiros no Brasil têm, atualmente, capacidade de processar 570 mil toneladas de aço por ano, empregando 56 mil pessoas – seis mil delas estão no RS. E há muito mais espaço para o crescimento. “O Brasil tem uma reserva importante, com a camada pré-sal, que o deixará entre os principais produtores mundiais”, salientou Mendonça.

Pelas contas da Abenav, em 2020, o setor extrairá o equivalente a seis milhões de barris de petróleo, com um faturamento anual estimado em U$ 20 bilhões. As indústrias, então, contarão com cerca de 100 mil trabalhadores. “Precisamos fazer com que esta cadeia seja competitiva com cada vez mais fornecedores operando no Brasil, com tecnologia atualizada e dentro de custos internacionais compatíveis”, afirmou Mendonça.

Ao comentar os investimentos a serem feitos em São José do Norte pelo Estaleiro EBR, o presidente da EBR, Alberto Padilha, alertou para os gargalos e os desafios enfrentados pelo grupo para um empreendimento dessas dimensões. “Estamos a caminho de um novo estaleiro com área de 1,5 milhão de metros quadrados, com capacidade de processamento de aço estimada em 110 mil toneladas por ano. Com isso, a primeira realidade que enfrentamos é a de que não existem trabalhadores especializados em número suficiente”, ressaltou. De acordo com ele, os treinamentos, mesmo em ritmo acelerado, não vencem a demanda. “A velocidade de formação é lenta”, completou.

Preparar 60 mil novos técnicos, até 2014, para atender as necessidades do Polo Naval. Esta é a conta feita pelo presidente da Quip, Michelangelo Thomé, para quantificar o déficit de mão de obra que atinge a indústria. Segundo ele, dentro de uma planta, 52% dos profissionais são técnicos com formação básica, 26% são técnicos com mais de 200 horas de experiência, 19% são técnicos de nível médio e somente 3% são de nível superior. Isto demonstra onde está o gargalo da mão de obra. “É por isso que a academia é tão importante, ao compreender as necessidades da indústria”, ressaltou.

Ao comentar os desafios que se colocam diante da indústria naval brasileira, o presidente da Engevix/Ecovix, Ivo Dworschak, lembrou o longo caminho tecnológico que ainda precisa ser percorrido ao lado das universidades brasileiras e das políticas governamentais de apoio à pesquisa. “Ainda estamos atrás da Coreia e do Japão, nas nossas melhores projeções, pois nosso parque tecnológico foi sucateado. Temos que aprender com as lições do passado para dar mais longevidade e buscar alternativas após a passagem do ciclo”, finalizou.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. NAVTEC

segunda-feira, 26 de março de 2012

Navio cargueiro polonês continua encalhado no Rio Guaíba, junto ao Canal do Junco

Polish bulk carrier Pomorze aground in Baia de Guaiba, Brazil

Polish bulk carrier Pomorze ran aground near Itapua in do Junco channel en route from Rio Grande to Porto Alegre, Brazil, on March 15, with a cargo of 8,000 tons of ammonium nitrate and 3 thousand tons of urea. Pomorze ran aground off channel and didn’t hamper traffic, locals said vessel stranded off course to avoid another vessel which was crossing her way, presumably Taiwanese bulk carrier Santa Ines (dwt 58500, IMO 9425851). As of morning March 20, vessel was in position 30 20S 051 04W, 1 nm north of island Ilha do Junco, i.e. still aground.

Buques de carga Pomorze IMO 9346823 by Piet-Verspui 

Bulk carrier Pomorze IMO 9346823, dwt 38056, built 2008, flag Bahamas, manager/owner POLSKA ZEGLUGA MORSKA PP (POLSTEAM), Poland.

AVISO-RÁDIO NÁUTICO
26-03-2012 (01:45 UTC)
HG 7341/12
RIO GUAIBA - PROXIMIDADES DA PRAIA DA ONCA
CARTA 2108
NAVIO MERCANTE POMORZE ENCALHADO NA POSICAO 30-20.87S 051-03.25W
RECOMENDA-SE CAUTELA.

CN 2108

Fonte: Maritime Bulletin, Accidents.

Porto Alegre: 240 anos! Riso Dourado ( Leandro Berlesi)

domingo, 25 de março de 2012

Cachoeira do Sul - Situação irregular impede revitalização do terminal fluvial

Em 1997, o Ministério dos Transportes delegou o Porto de Cachoeira do Sul, junto com os portos de Porto Alegre e Pelotas, mediante Termo de Autorização, para a administração do governo estadual. Posteriormente, a administração estadual cedeu uma parte da área do porto, sem licitação, para uma empresa privada - a Granol, que produz e comercializa grãos, farelos, óleos vegetais e biodiesel para os mercados interno e externo.

A área do Porto de Cachoeira do Sul (RS), foi propriedade da extinta Empresa de Portos do Brasil (Portobras) e, nessa medida, constitui bem imóvel da União. A área possui aproximadamente 183 hectares, sendo que desse total, a Granol ocupa cerca de 41 hectares; isso significa que o empreendimento está localizado dentro de área que pertence à União, ocupando cerca de 25% das terras federais.

 

O repasse irregular do terreno pelo Estado à Granol se deu por meio de concessão de uso de bem imóvel, celebrado entre o Estado do Rio Grande do Sul e a empresa, na data de 7 de julho de 2005, no qual é cedida a plena posse do imóvel em favor da Granol, a partir de que a empresa ficou autorizada, às suas expensas e sem necessidade de qualquer autorização prévia por parte do Estado, a implementar todas as benfeitorias e acessos necessários para o desenvolvimento das atividades.

Os outros 75% da área estão desocupados, e a instalação portuária continua desativada. Vários empreendedores se propuseram a ocupar os espaços restantes e encaminharam pedido para utilização da área ao Governo do Estado do RS, mas isso tudo foi feito de forma política, sem profissionalismo, vale dizer - sem qualquer estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental.

Veja mais sobre o assunto aqui.

O QUE FAZER?

O tempo transcorrido, mais de três décadas, mostra que a administração pública, nas esferas municipal, estadual e federal, não foi capaz de dar uma função útil a essa área de 183 hectares que, à exceção da fração ocupada pela Granol, continua abandonada, sem qualquer utilização econômica produtiva. A foto abaixo mostra a serventia atual da área que deveria ser um terminal portuário fluvial, que até pouco tempo servia como mera plataforma de recreação e pesca amadora. Atualmente, segundo consta, nem para isso serve mais ...

 

Para aproveitar melhor o potencial econômico dessa área localizada às margens do Rio Jacuí - distrito industrial e terminal portuário, a União deveria proceder à sua venda, mediante licitação pública.  Preliminarmente, o termo de autorização que delegou os portos interiores ao Estado do RS teria que ser objeto de termo aditivo, com a exclusão dessa área, seguida da desafetação de sua finalidade portuária.

As empresas interessadas em constituir um distrito industrial na área, cujo número seria superior a vinte, poderiam formar um consórcio, incluindo a Granol, e participar da licitação. Após a aquisição da área, o consórcio vencedor contrataria um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental para subsidiar a decisão de reativação da atual plataforma de carga e descarga existente no local e da área que seria destinada ao futuro terminal fluvial.

Comprovada a viabilidade, o consórcio providenciaria as ações necessárias junto à Agência Nacional de Transporte Aquaviário (ANTAQ) para a implantação de um terminal de uso privativo (TUP), a ser administrado pelo próprio consórcio. Essa proposta lembra a ideia de condomínio, e serviria para testar a existência de empreendedorismo no setor privado existente na região.

sábado, 24 de março de 2012

Porto de Cachoeira do Sul - Reativação do terminal fluvial continua indefinido

Futuro do Porto do Jacuí será decidido quando Tarso vier à cidade, ainda este ano

 
Governador Tarso Genro prepara visita oficial ao município ainda este ano 

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, recebeu o Jornal do Povo no Palácio Piratini na tarde de segunda-feira para reafirmar seus compromissos com algumas das principais bandeiras de Cachoeira do Sul. Acompanhado de assessores na sala de banquetes residenciais do Piratini, decorada por grandes espelhos e objetos de prata, Tarso manteve a incógnita em relação ao projeto industrial mais importante para o município no último ano do governo Sergio Ghignatti, a questão que envolve a cedência da União para o Estado de uma área de 183 hectares no Porto do Rio Jacuí. A intenção da Prefeitura é colocar naquele local um novo distrito industrial.

O assunto só deverá ser finalmente esclarecido em uma vinda do governador à cidade, ainda sem data definida devido a entraves burocráticos. Ciente de que a questão é importante para o desenvolvimento industrial de Cachoeira - há duas dezenas de empresas que demonstraram interesse em se instalar na área, gerando cerca de 620 empregos -, o governador diz estar de mãos amarradas em relação a este tema, que ainda depende de uma portaria do Ministério do Planejamento. “Nós estamos negociando com Brasília essa questão. Já adiei duas vezes minha ida a Cachoeira porque estamos esperando a portaria sobre esse assunto. Quero chegar lá (em Cachoeira) com uma resposta”, destacou.

SUGESTÃO - Nem diante da insistência da reportagem Tarso afirmou se acatará ou não a sugestão feita pelo seu secretário de Infraestrutura, Beto Albuquerque, que propôs tentar a compra ou a doação definitiva daquela área (uma alternativa para desburocratizar a etapa de cedência do local para as empresas). “Sem sair essa portaria, estamos ainda bloqueados para tomar essa decisão”, justificou o governador. O representante do Executivo estadual não foge de seus compromissos com o município e até aproveitou para elogiar o último debate coordenado pelo seu governo na cidade, em julho do ano passado, quando este tema e uma série de reivindicações regionais foram apresentados ao Estado.

PARA SABER MAIS

O imbróglio da área do Porto

> Área de 183 hectares que fica ao redor do Porto.
> Ocorre que toda a área estava regrada como espaço portuário na última portaria que a cedeu para o Estado.
> Esse regramento causaria uma série de entraves burocráticos para que os lotes pudessem ser repassados às empresas em um segundo momento.
> A estratégia adotada pelo governo, coordenada pela pasta de Infraestrutura e Logística, foi de desmembrar 26 hectares, que passarão a ser área portuária.
> Assim, o espaço restante, 157 hectares, será usado para a instalação das indústrias nas imediações do Porto.

PARA ENTENDER MELHOR

Por que Cachoeira precisa de respostas urgentes sobre o Porto?

>> 21 empresas se apresentaram à Prefeitura para ocupar a área.
>> Juntas, elas gerariam cerca de 620 empregos diretos.
>> A área hoje ociosa seria transformada no mais novo distrito industrial de Cachoeira.
>> A instalação de novos nichos industriais seria capaz de causar um reflexo positivo na arrecadação de impostos do município, a exemplo do boom causado pela Granol no retorno de ICMS para a cidade.

O que o Estado pretende para esta área?

>> Conforme o secretário Beto Albuquerque, é preciso pensar na atração de empresas com destaque global, não somente indústrias regionais.
>> Outra proposta é viabilizar a área portuária, prospectando uma empresa com experiência nessa área, linkando esta proposta à concretização da hidrovia do Rio Jacuí.
>> O governador Tarso prefere não especular o que fazer sem que a União defina as mudanças burocráticas na definição da área.
>> A administração da área é outro debate que se avizinha, já que o secretário Beto acredita que o melhor seja que o Estado assuma esta responsabilidade, tendo em vista sua capacidade para ofertar incentivos e financiamentos às indústrias.

Fonte: Jornal do Povo, Cachoeira do Sul. Política

sexta-feira, 23 de março de 2012

1.ª Feira do Polo Naval/Rio Grande - Hidrovias gaúchas em discussão

Das cerca de 30 milhões de toneladas movimentadas pelo Porto do Rio Grande em 2011, apenas sete milhões (algo em torno de 20%) foram movimentadas através de hidrovias. Pouco para um estado que pode ser considerado privilegiado nas condições naturais de navegabilidade. A tímida utilização do modal foi o tema das palestras do Navegar 2012 na última quarta-feira.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários participou do evento através de Felipe Henrique Cadore Flores, especialista em Regulação de Serviços da Antaq. Em sua palestra, Flores apresentou o Plano Nacional de Integração Hidroviária (PNIH). O estudo, em andamento pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e previsto para ser concluído até o fim deste ano, vai traçar uma radiografia completa das várias bacias do Brasil para ser analisado em parceria com o Ministério dos Transportes. O diretor mostrou avanços feitos na hidrovia Tocantis-Araguaia, já beneficiada pelas eclusas do rio Tucuruí, mas que ainda precisa de obras complementares, como a derrocagem.

A Antaq também projetou os novos investimentos no Brasil. O Rio Grande do Sul será beneficiado com a melhoria do trajeto pela Lagoa dos Patos e com a chamada Hidrovia do Sul, que ligaria o Uruguai ao Porto do Rio Grande pela Lagoa Mirim. O projeto ainda depende do estudo de viabilidade econômica. “Meu desejo é que todo o sistema funcione, que o interesse público seja defendido. Há vários nós que precisam ser desatados por mais de um órgão e esses órgãos têm que ter condições para isso, seja recurso, sejam pessoas”, afirmou.

Hidrovias gaúchas em discussão 
A tímida utilização do modal foi o tema de palestras (Foto: Arquivo JA)

Pedro Obelar, diretor da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) do Rio Grande do Sul, foi o segundo palestrante. Hoje, o Estado possui 750 km de hidrovias. Dessa extensão, 100 km são canais artificiais, que precisam de dragagens e sinalização. Obelar relatou as obras de desassoreamento nos rios Guaíba, Gravataí, Rio dos Sinos, Caí e Jacuí.

Os canais navegáveis registraram aumento na movimentação, principalmente de biodiesel e peças para o setor naval produzidas em Charqueadas. No rio Taquari, por exemplo, a profundidade é de 2,5 metros, um dos desafios para a atual superintendência. A SPH também acompanha o projeto da Hidrovia do Sul. Para isto, estuda a dragagem do canal São Gonçalo, em Pelotas, fundamental para a viabilidade. Enquanto a profundidade na Lagoa dos Patos é de 5,18 metros, na Lagoa Mirim, é de apenas 2,5 metros.

“É um projeto ambicioso e será possível mediante um convênio entre o Dnit e a SPH. Vamos reativar equipamentos de dragagem e lanchas para utilizá-las no estudo”, afirma. No porto de Cachoeira do Sul, que possui apenas 70 metros de cais, a superintendência concentra recursos e projetos para reativar o terminal. A proposta é de utilizá-lo, assim como os portos de Estrela e Pelotas, como portos auxiliares da indústria naval no Porto do Rio Grande.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Transporte

quinta-feira, 22 de março de 2012

História da Engenharia - De Chico Bastos ao Polo Naval

Zero Hora - Os vinte gaúchos do século.  Chico Bastos

Guiada pela obra "Chico Bastos, o pescador" de autoria de Willy Cesar aconteceu a cerimônia de abertura da primeira Feira do Polo Naval. Na presença do governador do Estado do Rio Grande do Sul Tarso Genro, muitas pessoas ali talvez não tivessem entendido a importância das citações da biografia de um rio-grandino feitas pelo representante da organização Fernando Estima, mas para o momento que ali se desenrolava a lembrança foi das mais pertinentes e uma homenagem maior que nome de rua ou escola.

Francisco Martins Bastos além de ter dado a cidade do Rio Grande uma das maiores empresas petrolíferas privadas do Brasil, foi um dos grandes marcos do desenvolvimento rio-grandino e por anos representou o carro chefe da economia do Município. Quando da confusão com o grupo que acabou pela venda da empresa, o sentimento de perda que tomou conta das ruas da cidade era o sentimento de um filho que estava vendo o pai na cama de um hospital. A imponência da Ipiranga poderia se igualar a da histórica cidade que a abrigava e pelos feitos de seu fundador que ajudou a criar a atual Universidade Federal do Rio Grande.

E foi nesta instituição que este ilustre homem foi, mesmo que de forma singela foi lembrado. No Centro Integrado de Desenvolvimento e Estudos Costeiros (Cidec-Sul) uma verdadeira multidão acompanhou a comitiva do governador Tarso Genro. O representante da Petrobras, José Barbosa disse em pronunciamento que o evento já era um sucesso pela dimensão que tomou. “Resolvemos apostar neste evento pelo significado que a cidade e o Estado do Rio Grande do Sul tem para a Petrobras. Esta empresa tem tido vários sucessos e este sucesso está ligado a vários segmentos. A Petrobras é o que é por seus 70 mil trabalhadores”, conclui ele. A empresa é a principal patrocinadora do evento. O representante da Secretaria Especial de Portos reafirma a vocação do Rio Grande para esse novo mercado e a condição irreversível do Polo Naval.

 
Abertura oficial da Feira do Polo Naval contou com a presença do governador do Estado   
e lembrou um dos maiores empresários da história do Município. (Foto: Deyver Dias) 

Como anfitrião da noite, coube ao vice-reitor Ernesto Casares Pinto dar as boas-vindas aos ilustres visitantes da universidade. “Este espaço foi inaugurado por Lula e mais sete ministros de estado, entre eles o atual governador Tarso Genro e a presidenta Dilma que então era ministra. Quando inauguramos a concepção desse espaço era justamente essa, sediar grandes eventos que debatessem o desenvolvimento regional”, afirma ele.

E com muita ansiedade chegou o momento do discurso do Governador do Estado do Rio Grande do Sul que lembrou do momento em que o dique seco era discutido no gabinete presidencial. “Eu estava na sala do presidente Lula quando ele falava sobre o Dique Seco junto a Dilma. O dia de hoje é memorável não só para o Rio Grande do Sul como para o Brasil. Aqui repousam as relações verticais de economia e horizontais são necessárias para ter o processo mais produtivo”, afirma ele. Além disso, o governador afirmou que serão investidos 150 milhões na metade sul no sistema de energia elétrica tanto para o campo quanto para cidade.

Todos os presentes receberam uma cópia do livro utilizado por Fernando Estima para fazer seu discurso inaugural. Em mãos do livro, os presentes encerraram a cerimônia de abertura com o hino rio-grandense entoado pela soprano Fernanda Miki. Não há como negar a importância que o Município vem ganhando no cenário internacional, mas é preciso sempre lembrar os ensinamentos de um homem que foi um dos grandes precursores do desenvolvimento rio-grandino. De Chico Bastos ao Polo Naval, Rio Grande precisa fazer acontecer o seu próprio sucesso. Se este sucesso está vindo de fora e se instalando aqui, é preciso fazer destes que chegam filhos desta terra e irmãos do que já estão.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Feira do Polo Naval

quarta-feira, 21 de março de 2012

Rio Grande - 1.ª Feira do Polo Naval discute a indústria naval oceânica da região

Teve início na tarde desta terça-feira, 20, no Centro Integrado de Desenvolvimento e Estudos Costeiros (Cidec-Sul) da Furg, a 1ª Feira do Polo Naval – Indústria Oceânica, Offshore, Portos, Logística e Transportes. Os debates que se estenderão até o dia 23 de março irão tratar sobre os assuntos referentes à indústria naval brasileira.

São 15 mil metros quadrados de área para as atividades e 200 estandes com expositores de diversos segmentos. Além das empresas chave para o desenvolvimento do Polo Naval, fazem parte deste evento os sistemistas que aproveitam esta oportunidade como forma de apresentação a um mercado comprador. Dentro do complexo da Feira do Polo Naval estão acontecendo simultaneamente o 9° Congresso Internacional Navegar, o Navtec 2012, a 5ª Rodada de Negócios Sebrae, 2º Seminário de Direito, Desenvolvimento Portuário e Construção Naval do Rio Grande e o Navtec – Conferência Internacional em Tecnologias Naval Offshore: Ciência e Inovação.

 
Feira teve início na tarde desta terça-feira, 20. 
Foto: Deyver Dias

O evento, que começou nesta manhã com a chegada da comitiva ministerial no aeroporto do Rio Grande, teve prosseguimento em um almoço na Câmara de Comércio, onde foi oferecido o troféu “Porto Fiel” aos maiores clientes do Sistema Portuário Gaúcho na última década. Na parte da tarde, a comitiva que acompanhava o ministro dos transportes Paulo Sérgio Passos chegou ao Cidec, conheceu a feira, passou pela Rodada de Negócios do Sebrae e depois se dirigiu ao Congresso Navegar onde o ministro seria um dos palestrantes do dia.

Durante a tarde, ocorreu o painel “Polo Naval: uma visão mutimodal” no qual palestraram Jorge Gerdau Johanpetter, Beto Albuquerque, Mario Lima Junior (representando o ministro de Portos) e Paulo Sérgio Oliveira Passos. Na oportunidade, o representante da Secretaria de Portos pode apresentar o que estava sendo feito nos portos brasileiros dando destaque aos investimentos no Porto do Rio Grande como a implantação do Sistema Porto sem Papel que deve ocorrer até meados de 2013, os projetos da Ilha do Terrapleno e da contratação do sistema VTMIS.

Durante todo o dia aconteceram cerca de 700 reuniões nas Rodadas de Negócio do Sebrae. Foram 30 empresas compradoras e 280 que puderam apresentar seus produtos e serviços à venda. Segundo o gerente de indústrias do Sebrae, Jakson Luz, o objetivo destas rodadas é aproximar as empresas dos compradores. "Sem a ajuda do Sebrae muitas empresas pequenas não conseguiriam o contato com grandes compradores", afirmou. Durante a noite, ocorreu a cerimônia oficial de abertura com a presença do governador do Estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.

Por André Zenobini

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. Inauguração

terça-feira, 20 de março de 2012

Catamarã - Novas opções da hidrovia esbarram nos dutos do emissário subaquático do DMAE (PISA)

Equipe técnica fez dois trajetos, até a Ilha da Pintada e o Barra Shopping, para verificar possibilidades

Uma equipe técnica da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) analisou os novos trajetos a serem percorridos pelo catamarã, ontem à tarde. O grupo fez o trajeto que deverá ser implantado ainda este ano até a Ilha da Pintada e o outro previsto até o Barra Shopping, na zona Sul.

Este último, no entanto, de acordo com Carlos Bernaud, da CatSul - empresa que opera a linha Porto Alegre-Guaíba -, apresenta um problema para atracar, pois os dutos do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) dificultam as manobras da embarcação. O Dmae projeta resolver o problema no prazo entre quatro e seis meses. A EPTC espera que haja solução em um tempo menor para a linha começar logo a operar.

 
Viagem até a Colônia de Pescadores Z5 levaria 10 minutos,
partindo do Cais do Porto. Crédito: Tarsila Pereira

A CatSul demonstrou intenção de também operar esses dois trajetos. Segundo Bernaud, a ideia é que o itinerário da Ilha da Pintada e do Barra Shopping seja operado em alguns horários. No caso da linha para o Barra, o catamarã pararia em alguns horários, aproveitando o trajeto para Guaíba. Porém, há o empecilho dos dutos do Dmae, fazendo com que o início das operações ainda não tenha data determinada. Para a Ilha da Pintada também seriam alguns horários e, nesse caso, poderia ser implementada em seis meses. O tempo de viagem seria de 10 minutos.

Eram 16h10min quando a equipe da EPTC chegou ao Cais do Porto, na Capital. Após uma rápida conversa com Bernaud, o grupo embarcou em um catamarã, indo em direção à Ilha da Pintada. A intenção era verificar o local onde poderia ser feito o atracadouro. Na ilha, contataram com representantes da Colônia de Pescadores Z5. Apesar de considerar boa a ideia, a comunidade local espera que o projeto seja pensado no sentido de não atrapalhar os profissionais que vivem da pesca. Uma espécie de pier seria feito próximo ao dos pescadores. Da ilha, o grupo seguiu até as proximidades do Barra Shopping. Uma pracinha, situada perto, foi adotada pelo Barra e poderá abrigar o atracadouro. O tempo de viagem até o shopping seria de 15 minutos.

Fonte: Correio do Povo, 20-03-2012. Geral

segunda-feira, 19 de março de 2012

Marinha restringe navegação no Rio Guaíba, mas obras que desrespeitam a Normam-11 continuam




NOTA DO EDITOR

É importante observar que a extensão do emissário subaquático é de 10 quilômetros, conforme pode ser visto na figura abaixo, desde o Cristal (a montante da Ponta do Dionísio) até a Ponta da Serraria, sendo que as áreas de dragagem e de despejo não se limitam à área delimitada pela Delegacia da CP/RS, que está restrita apenas às imediações do Clube Jangadeiros. Uma pergunta simples: O resto da área não oferece perigo à navegação?


 Emissário Subaquático - Área de Dragagem/Despejo e Área de Restrição

domingo, 18 de março de 2012

Porto de Rio Grande - Quase pronta reforma no antigo cais

Obras revitalizam o Rincão da Cebola, às margens da Lagoa dos Patos
Crédito: Valério Cabral/Especial/CP

Entraram na fase final as obras de revitalização do cais Oeste do Porto Velho, conhecido como Rincão da Cebola, às margens da Lagoa dos Patos, em Rio Grande. Todas as etapas de infraestrutura, o que inclui sistema de drenagem, instalações hidráulicas e implantação de dutos para rede elétrica, estão concluídas. Além disso, segundo o secretário de Coordenação e Planejamento, Paulo Renato Cuchiara, cerca de 90% dos pisos já foram colocados pela empresa que executa a obra. A construção da guarita de segurança e a fixação das estacas para a rampa de acesso e o ancoradouro de ingresso à Lagoa dos Patos também estão finalizadas.

Segundo Cuchiara, falta a colocação dos equipamentos urbanos para a área, incluindo postes, bancos, sinalização e lixeiras, além da implantação do paisagismo. Ele diz que o projeto de revitalização do Rincão da Cebola integra um empreendimento maior, que abrange a recuperação de todo o entorno do Porto Velho. O governo estadual, por meio da Superintendência do Porto do Rio Grande, está concluindo a recuperação do antigo cais.

O montante liberado para a primeira etapa da obra, cerca de R$ 1,5 milhão, é referente a duas emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União. Para a conclusão das fases restantes, a prefeitura busca a viabilização de recursos. O projeto original prevê ainda a construção de um restaurante panorâmico.

Fonte: Correio do Povo, 18-03-2012. Cidades

sábado, 17 de março de 2012

Cachoeira do Sul - Plano da área do porto retorna à estaca zero

Estado deve desistir da cedência e tentar a compra dos terrenos

O processo de cedência de uma área de 183 hectares junto ao Porto de Cachoeira do Sul da União para o Estado praticamente voltou à estaca zero. O governo do estado deve adotar uma nova estratégia para ficar com 157 hectares daquele espaço, área para a qual a Prefeitura de Cachoeira do Sul possui 21 empresas interessadas em se instalar. O pensamento, revelado nesta sexta-feira pelo secretário estadual de Infraestrutura, Beto Albuquerque, é de buscar a doação da área ou então a sua compra junto à União.

“Se ficarmos com a cedência, toda vez que formos repassar, licitar ou doar parte da área a alguma empresa precisaremos do aval da Secretaria do Patrimônio da União”, diz. Na próxima semana, um dos passos burocráticos que era esperado no processo de cedência da área deve ser oficializado - desmembrando os 183 hectares que estavam regrados como área portuária.

O Ministério do Planejamento vai denominar como área portuária somente 26 hectares. “Nenhuma empresa se interessaria se continuasse como antes, pois a legislação portuária é mais embaraçosa”, explicou o secretário. Apesar de um ano e três meses do Governo Tarso Genro terem sido consumidos somente para a questão do desmembramento, o secretário estadual acredita que a doação possa ser um processo mais rápido.

VANTAGENS - Para Beto, há uma série de vantagens se a área passar para o domínio do Estado. “Se a área for nossa, aí você pode fazer o que quiser, todo o processo se torna mais prático. Com uma cedência, você tem a área, mas no fundo não tem”, explica. Como Beto voltou nesta quinta-feira de Brasília, ele ainda não informou o governador Tarso Genro sobre essa nova solução pensada para a área em Cachoeira. Ele acredita, porém, que o processo de cedência possa ocorrer sem maiores dificuldades. A aposta é porque, além daquele espaço ser ocioso, há uma sintonia de pensamentos entre os governos estadual e federal, os dois sob administração do PT, o que pode agilizar o processo.

Porto de Cachoeira do Sul (Hidrovias Interiores - RS)

Estado pensa em atrair empresas globais

O Porto do Rio Jacuí, ao menos na visão do secretário de Infraestrutura Beto Albuquerque, deve ser pensado para a atração de grandes indústrias, com atuação global. Cachoeira do Sul possui 21 empresas com características regionais interessadas em se instalar nas imediações do porto e com capacidade para gerar em torno de 600 empregos.

Apesar de não divergir caso o Município prefira ficar responsável pela área, o secretário enfatiza que a administração pelo Estado pode assegurar uma série de incentivos, como financiamentos, que a Prefeitura não teria como garantir. “Quem vai administrar não acho relevante. Mas o que tem de empresa grande hoje dialogando com o Estado e prospectando áreas é que nos faz acreditar que a administração pelo governo estadual é mais eficaz”, completa.

CONJUNTO - Ainda assim, ele diz que o diálogo em conjunto com o Município é o melhor caminho nesta questão. “Tendo a doação, podemos sentar e decidir em conjunto com a Prefeitura os rumos que daremos às negociações. O que importa é ter empresas grandes”, disse.

IMPORTANTE

O desmembramento da área e sua posterior doação ao Estado ou aquisição junto à União pode beneficiar também a médio prazo a Granol, que ainda não possui a posse definitiva da área onde está instalada. O processo de escrituração da área é uma das reivindicações mais antigas da empresa que produz biodiesel no município desde que começou a operar. Assim, para busca de financiamentos, por exemplo, ela poderia arrolar a área como garantia, além de ter mais segurança para investir num espaço que possui a propriedade.

UMA PERGUNTA - Quem trata da questão da área do porto no Estado?

O assunto vinha sendo tocado por Beto Albuquerque, da Seinfra, mas agora, com o desmembramento da área prestes a ser oficializado, ele também será dividido. Assim, Beto passará a cuidar da prospecção de empresas interessadas com o ramo de atividade portuária dos 26 hectares. A responsabilidade sobre os trâmites da área maior será da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, titulada pelo empresário e economista Mauro Knijnik.

ATENÇÃO

Beto acredita que, se o Estado tentar a compra daquela área, o valor deve ficar na casa de R$ 2 milhões. “Em processos de compra de entes federativos, a Caixa faz a avaliação e você paga”, explicou. Questionado se o Estado teria recursos para esta aquisição, ele ponderou positivamente.

Por Vinicius Severo

Fonte: Jornal do Povo, Cachoeira do Sul. Economia

sexta-feira, 16 de março de 2012

Navio cargueiro encalha em Itapuã

O navio cargueiro Pomorze, que vinha de Rio Grande para Porto Alegre, encalhou no Canal do Junco, próximo a Itapuã, na entrada da Lagoa dos Patos. De bandeira das Bahamas, a embarcação de 189,97 metros de comprimento e 28,50 metros de largura saiu do Porto de Rio Grande no último dia 13, com uma carga de 11 mil toneladas, sendo 8 mil toneladas de nitrato de amônia e 3 mil toneladas de ureia. Os insumos se destinavam a clientes de Porto Alegre.

Embarcação não atrapalha a navegação, diz Capitania dos Portos
Crédito: MARINETRAFIC.COM/ESPECIAL/CP

De acordo com a Capitania dos Portos, a embarcação não havia atrapalhado a navegação na área, ontem, pois encalhou fora da linha do canal. O Pomorze, segundo pescadores, teria cruzado por outro cargueiro, o Santa Inês, quando ocorreu o encalhe.

Fonte: Correio do Povo, 16-03-2012. Geral

NOTA DO EDITOR

A Lei de Modernização dos Portos (Lei Federal 8.630/93, artigo 33, § 5.º, inciso I, letra d) determina que o porte máximo das embarcações deve ser estabelecida pela administração do porto (SPH), sob a coordenação da autoridade marítima (Marinha). Passados mais de 18 anos, nada foi feito a respeito, apesar do tráfego irregular de navios de longo curso, cujas dimensões excedem os valores máximos permitidos pelo gabarito das hidrovias interiores (ver matérias relacionadas ao assunto nos links abaixo). O novo encalhe mostra que o assunto está sendo "empurrado com a barriga", provavelmente em razão de interesses econômicos, e isso ocorre com prejuízo à segurança da navegação.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vítima de inquisição militar, velejador vai parar na Delegacia

A publicação de artigo denunciando a negligência das autoridades quanto à segurança da navegação no Rio Guaíba acabou levando o autor, Danilo Chagas Ribeiro, à Delegacia da Capitania dos Portos em Porto Alegre, na sexta-feira passada, dia 09/03/12, onde foi submetido a um processo vergonhoso de assédio moral, com ações intimidatórias e persecutórias que caracterizam desvio e abuso de autoridade.


14 Mar 2012
A publicação de artigo informando sobre o Desleixo Público no Rio Guaíba acabou levando o autor à Delegacia da Capitania dos Portos em Porto Alegre, na sexta-feira passada, dia 09/03/12.
 


Leia aqui a matéria completa DMAE-PISA-DELEGACIA-CP/RS

Fonte: popa.com.br, http://www.popa.com.br.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Arroio Grande - Construção de ponte* sobre canal São Gonçalo é tema de audiência

Rota alternativa permitirá escoamento mais rápido de
 produtos de municípios da Zona Sul (Foto: Divulgação)

Será realizada nesta quarta-feira (14), em Arroio Grande, uma audiência pública para discutir junto ao governo do Estado e lideranças da região Sul a construção da ponte sobre o canal São Gonçalo, no distrito de Santa Isabel.

O evento é promovido pela prefeitura juntamente com a Secretaria de Infraestrutura e Logística do Estado, através da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) e ocorrerá no Centro de Cultura Basílio Conceição, a partir das 14h. Prefeitos que integram a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) confirmaram presença no evento, além de representantes dos mais variados segmentos da região.

A construção da ponte permitirá escoamento num trajeto mais curto de produtos destes municípios e do próprio Mercosul ao Porto de Rio Grande.

Para o prefeito de Arroio Grande, Jorge Cardozo (PDT), outro benefício desta rota alternativa é o problema originado pelos fatores climáticos. As constantes interrupções no tráfego da BR-116, por queda de pontes ou destruição da pista, isolando os municípios, causando muitos transtornos e prejuízos deixariam de acontecer com a nova rota. O encontro é aberto ao público em geral.

Fonte: Diário Popular, Pelotas. Audiência Pública

* NOTA DO EDITOR

Em primeiro lugar deve ser esclarecido que a audiência pública vai tratar da travessia hidroviária de veículos (balsa), e não propriamente da proposta de construção de ponte no local que, nesse caso, demandaria a existência de estudo de viabilidade econômica que justificasse gastos públicos com a execução de uma obra desse porte. A Prefeitura de Arroio Grande, no entanto, veicula a ideia de que o assunto da audiência seria a ponte rodoviária. Veja aqui a notícia da Prefeitura de Arroio Grande, e também examine no site da SPH a notícia com a verdadeira pauta da reunião. 

Na hipótese da ponte, qual a gabarito - tirante de ar (altura útil à navegação) e vão horizontal, a ser utilizado na pretendida ponte? A Superintendência de Portos e Hidrovias está sendo consultada a respeito desse assunto? Qualquer decisão precipitada, em atendimento aos interesses econômicos rodoviaristas, inviabilizará o projeto Hidrovia Brasil-Uruguai, impossibilitando a navegação no Canal São Gonçalo. Entendo que o gabarito, com as dimensões mínimas do tirante de ar e vão de navegação, a ser observado na construção da nova ponte, deverá ser contemplar, no mínimo, aos valores observados nas atuais pontes sobre o Canal São Gonçalo em Pelotas.

 
Pontes sobre o Canal São Gonçalo (Pelotas)

Essas pontes apresentam as características geométricas mostradas na tabela abaixo, mas é importante fazer as seguintes observações: (1) O tirante de ar a ser considerado, em águas mínimas, é o da ponte nova (21,35 m); (2) A largura de vão central a ser levada em conta é a da ponte ferroviária (39,00 m). 

 

Sobre o assunto, ver matéria publicada aqui no blog Canal São Gonçalo - Altura Livre das Pontes.

terça-feira, 13 de março de 2012

Leilão de navios vai liberar o Cais Mauá

Já há grupos estrangeiros interessados. Venda ocorre no dia 30

Os dois navios paraguaios que estão atracados no Cais Mauá, em Porto Alegre, não terão dificuldade em ser leiloados. A declaração foi feita pelo superintendente de Portos e Hidrovias do Estado, Pedro Homero Flores Obelar. O edital do leilão foi aberto na semana passada e há grupos estrangeiros interessados em adquiri-los.

Embarcações paraguaias estão no local desde 1997 
Crédito: Bruno Alencastro

Os navios Mariscal José Feliz Estigarríbia e General Bernardino Caballero vão a leilão no dia 30, às 11h. As duas embarcações estão no Cais desde 1997, quando foram apreendidas pela Marinha do Brasil. O motivo foi a falta de segurança para a navegação. Segundo o superintendente, o leilão tem importância que vai além da questão financeira. Um dos benefícios será a liberação da área, que integra o projeto de revitalização do Cais Mauá.

Obelar explicou que basicamente existem dois perfis de compradores, nesse caso. Um que irá desmembrar a embarcação e revendê-la como sucata, e outro que irá fazer adaptações para outras destinações. A comercialização dos navios também elimina os riscos de dano ambiental. "Essa é outra preocupação. Quem vencer o leilão terá a responsabilidade de retirá-los do Cais", lembrou.

Os navios pertenciam ao governo do Paraguai e foram repassados à superintendência em junho. Apenas em dívidas portuárias, somam R$ 5 milhões. Obelar reconhece que será impossível chegar a esse valor.

Fonte: Correio do Povo, 13-03-2012. Geral

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ligação Rio Grande/São José do Norte - Proposta de túnel ameaça expansão do porto marítimo e o transporte hidroviário

Empresa apresenta projeto para ligação a seco entre Rio Grande e São José do Norte

A Superintendência do Porto do Rio Grande recebeu, na tarde desta sexta (9), o diretor da empresa Boskalis do Brasil, Miguel Pires, e o gerente da SMIT Rebras em Rio Grande, Richard Grantham, juntamente com o deputado estadual Alexandre Lindenmeyer para apresentação de um projeto sobre a ligação a seco entre as cidades do Rio Grande e de São José do Norte.

Travessia Rio Grande/São José do Norte (Passageiros)

Na apresentação para a direção e a equipe de engenheiros da SUPRG, Pires defendeu a ideia da construção de um túnel subaquático como acesso entre as duas cidades. Os empresários explicaram o processo para a construção do túnel utilizando como exemplo o projeto que já está em desenvolvimento no México. Neste caso, a obra terá duração de 1 ano e meio e o túnel terá extensão de 1.200 metros, sendo que a colocação de cada módulo leva em torno de 10 dias. Para a cidade do Rio Grande, seria preciso definir um local para a construção do túnel e, a partir disso, precisar uma extensão e estimar um custo para a obra.

Para o superintendente do Porto, Dirceu Lopes, a escolha da melhor alternativa para a ligação entre as cidades deve levar em conta o crescimento do Porto do Rio Grande. “Temos a necessidade dessa ligação a seco. Iremos desenvolver conversas com o governo estadual e o governo federal na busca de viabilizar essa melhoria. Entretanto, é preciso avaliar a melhor opção que não inviabilizaria uma das nossas vantagens, que é a possibilidade de ter calado condizente com o constante crescimento de tamanho dos navios”, observou.

Travessia Rio Grande/São José do Norte (Veículos/Carga)

O deputado Alexandre destacou a importância de debater o projeto para a ligação. “É um momento em que temos que unir esforços no sentido de buscar parceiros com interesse de possibilitar essa ligação entre os municípios. Precisamos receber um número significativo de propostas, não só em relação ao local mais adequado para o túnel, mas também para a definição da ligação através de um túnel, uma ponte ou até um sistema híbrido”, disse.

O assunto será levado até o governo federal através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e ao governo estadual através da Secretaria de Infraestrutura e Logística e da Secretaria de Desenvolvimento do RS. A Boskalis é uma empresa holandesa, com sede no Brasil, que atua com dragagem e obras subaquáticas. A empresa tem experiência na construção de túneis subaquáticos modulares.

Fonte: Jornal Agora, Rio Grande. São José do Norte

NOTA DO EDITOR

Apesar da existência de uma ligação natural entre Rio Grande e São José do Norte, proporcionada pela Natureza - a ligação hidroviária, que permite a circulação de passageiros, veículos e cargas entre os dois municípios, de baixo custo e que pode ser modernizada com melhores embarcações e terminais, os empreiteiros insistem com obras rodoviárias desse tipo, que acabam com o transporte hidroviário e restringem/inviabilizam o desenvolvimento futuro do porto marítimo.

Além disso, não há qualquer preocupação com a viabilidade econômica do projeto, através de um estudo sério que comprove a relação benefício/custo que, necessariamente, teria que ser mais vantajosa do que a relação benefício/custo da atual alternativa hidroviária. A demanda existente, do ponto de vista econômico, justifica o volume de de recursos a serem gastos com a construção de um túnel (ou de uma ponte)? Qual é o prazo de retorno desse investimento?

Com certeza, a atual alternativa - travessia hidroviária de passageiros, veículos e cargas é a de menor custo social, porque utiliza uma hidrovia natural e, da mesma forma, é a alternativa que apresenta o menor custo ambiental, o que é uma característica do transporte hidroviário. A sociedade deve estar muito atenta com esse tipo proposta defendida por empreiteiros e políticos, que envolve obras faraônicas em detrimento de alternativas sustentáveis em termos de economia e meio ambiente. 

domingo, 11 de março de 2012

Obras causam acidentes e encalhes no Guaíba

Eduardo Nunes
eduardo.nunes@zerohora.com.br

Bancos de areia se formam pela dragagem de área por onde passará a tubulação
Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

A obra do Projeto Integrado Socioambiental (Pisa), que vai ajudar a despoluir o Guaíba, vem produzindo um dano colateral: a formação de bancos de areia que colocam em risco a navegação costeira na zona sul da Capital.

Esses bancos, que surgem em decorrência da dragagem feita para acomodar a tubulação que levará esgoto até a futura estação de tratamento da Serraria, têm provocado acidentes e encalhes.

De acordo com o instrutor de vela Marcelo Lopes, é comum que navegadores ocasionais se envolvam em acidentes ao transitar com seus barcos próximo aos pontos por onde passarão os dutos.

— Já vi muita gente batendo e pedindo socorro pelo rádio. Todo final de semana alguém fica preso num banco desses — afirma Lopes.

Navegadores costumam se envolver em acidentes por causa dos bancos de areia
Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

Um acidente grave pode ocorrer se um barco ou uma lancha — que pode se deslocar a mais de 80 km/h — bater em um desses obstáculos, segundo o instrutor. O problema, explica o comodoro do Clube Jangadeiros, Renê Garrafielo, não são os bancos que aparecem na superfície e podem ser avistados à distância, mas os depósitos de areia que ficam submersos a baixa profundidade. Esses obstáculos, alerta Garrafielo, não estão bem sinalizados.

Em dezembro de 2011, a família do funcionário público e velejador amador Luiz Augusto Lebsa sentiu o perigo que espreita os navegantes sob a superfície. Ele conta que voltava para o Jangadeiros no fim de uma tarde de domingo, acompanhado da mulher e da filha Gabriela, quando o seu veleiro, o Bons Ventos, bateu em um banco de areia submerso. Com o baque, Gabriela foi arremessada contra um anteparo e quebrou um dedo do pé.

— Em decorrência do fato, perdi a tripulação, que ficou em pânico com a situação, não querendo mais velejar — lamenta Lebsa.

Se a comunidade náutica protesta contra a falta de segurança trazida pela obra do Pisa, o poder público trata a situação como um problema temporário e garante que medidas serão tomadas para restaurar a navegabilidade original da área.

Procurado por ZH, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), responsável pela instalação da tubulação, se manifestou por nota, afirmando que o licenciamento ambiental da obra prevê o acompanhamento dos bancos de areia por 90 dias após o fim da dragagem, para verificar se os depósitos se ajustarão naturalmente ao leito normal do Guaíba. Se isso não ocorrer, os sedimentos serão acomodados no fundo do lago com máquinas.

Marinha emite aviso aos navegantes

O delegado da Capitania dos Portos em Porto Alegre, capitão-de-fragata Jayme Tavares Alves Filho, diz que a Marinha acompanha o caso e realiza inspeções periódicas para verificar a sinalização dos bancos de areia. Ele frisa que os depósitos de sedimentos estão marcados com boias.

O comandante Jayme diz que os navegadores amadores estão agindo por sua própria conta e risco. Conforme o militar, o curso mais adequado para se navegar no Guaíba é o canal principal, com profundidade de seis metros, e a área mais próxima da costa oferece perigo naturalmente, por ser mais rasa.

— Se você tem uma estrada pavimentada e uma estrada de chão batido e prefere ir pela de chão batido, você vai reclamar quando estraga o amortecedor em um buraco? — pondera o militar, que acrescenta que a Capitania dos Portos emite regularmente um boletim chamado "Aviso aos Navegantes", transmitido por rádio e enviado aos clubes, que deve ser consultado por todos os condutores de embarcações antes de começar a navegar.

Smam autua clube por depósito de areia

No fim de 2011, para tentar evitar que a formação de bancos de areia pela obra do Pisa comprometesse a navegabilidade do canal de entrada e saída de barcos do Clube Jangadeiros, o comodoro da entidade, Renê Garrafielo, sugeriu ao Dmae que os sedimentos fossem depositados junto à área do clube, em terra firme.

Garrafielo afirma que a medida seria temporária e a areia poderia ser colocada de volta no leito do Guaíba após a instalação da tubulação. Por isso, diz ter se surpreendido quando, em fevereiro, o clube foi autuado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), que entendeu que o depósito de areia consistia em um aumento não autorizado da área do Jangadeiros, que poderia ser punido com multa de R$ 100 mil.

Depois de reuniões entre representantes da secretaria e do clube, a situação foi resolvida. Conforme o superintendente de Praças, Parques e Jardins da Smam, Mauro de Moura, foi esclarecido que a areia depositada junto à área do clube será removida após a conclusão da instalação da tubulação.

COMENTÁRIOS

Josiene Menezes Paim
Os bancos de areia formados pela obra do PISA devem ser sinalizados com urgência! Todos queremos o rio despoluído e usá-lo para navegação com segurança! Lamentável a declaração do capitão de fragata da Marinha.
09/03/2012 | 20h05

José Truda Palazzo Jr.
É a cara do que restou da nossa gloriosa Marinha: burocratas incompetentes, acomodados com a falta absoluta de meios para assegurar a segurança da vida no mar e vias navegáveis, dizendo besteira pra tapar o sol com a peneira.
09/03/2012 | 15h39

Augusto Lebsa
Gostariamos tbm de poder visualizar as "citadas" boias que estao sinalizando os novos bancos de areia que nas proprias fotografias da reportagem nao aparecem?
Isto é descaso!
09/03/2012 | 13h55

Augusto Lebsa
Interessante a declaração do delegado da Capitania dos Portos, Jayme Tavares Alves Filho, ao se referir navegadores amadores, que estariam agindo por sua própria conta e risco, como assim? O famoso canalete do Guaiba onde ha anos todos velejadores navegam, esta impraticavel.
09/03/2012 | 13h52

Hermes Vargas dos Santos
O representante da DMAE está mentindo, pois o CONTRATO estabelece que os entulhos deverão ser removidos e a calha reaterrada. Enquabto os entulhos não forem removidos, devem ser sinalizados (Normam-11). Ver Hidrovias Interiores - RS.
09/03/2012 | 11h28

PRA
Esperamos realmente que nenhum dano dessa natureza seja definitivo. Queremos um lago limpo, bonito, de preferência com vida e navegável. Imagino barcos, veleiros e até cruzeiros atracando no nosso porto futuramente. O sonho é livre.
09/03/2012 | 09h46

Hermes Vargas dos Santos
O capitão da Delegacia da CP/RS perdeu uma excelente oportunidade de ficar quieto, para evitar falar bobagens. Com essa manifestação, ele demonstra desconhecer as próprias normas da Marinha, em especial a Normam-11, que trata de dragagens em águas navegáveis sob a jurisdição brasileira.
09/03/2012 | 09h24

Fonte: Zero Hora, Rota de Colisão.

sábado, 10 de março de 2012

Ação contra pesca ilegal

A Polícia Federal e o Ibama deflagraram, entre segunda-feira e ontem, a Operação Mar em Fúria, de repressão à pesca ilegal na costa gaúcha. A ação ocorreu na Lagoa dos Patos e na faixa litorânea desde a praia do Hermenegildo, no Chuí, até a de Cidreira, no Litoral Norte. Por terra, equipes patrulharam a orla, fiscalizando os pescadores profissionais e amadores, especialmente os responsáveis por cabos de rede na praia. Foram apreendidas duas embarcações, cinco redes de pesca, 3,7 toneladas de camarão e 220 caixas plásticas. Dez embarcações pesqueiras sofreram fiscalização. As multas totalizaram R$ 75,6 mil.

Abordagens de embarcações pesqueiras ocorreu na 
Lagoa dos Patos e na faixa litorânea do Chuí até Cidreira
Crédito: PF/DIVULGAÇÃO/CP

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e pela Polícia Federal em Rio Grande. Contou com o apoio do Núcleo Especial de Polícia Marítima e do Grupo de Pronta Intervenção, ambos da PF, o que permitiu a abordagem nas embarcações pesqueiras de arrasto. A ação foi precedida de levantamentos aéreos feitos pelo helicóptero do Ibama e de investigações levando em consideração os sistemas cadastrais e de navegação.

Programa Mesa Brasil 
(Crédito: PF/DIVULGAÇÃO/CP)

O programa Mesa Brasil, do Sesc, realizou ontem a distribuição das 3,7 toneladas de camarão apreendidas. O produto foi entregue a 55 entidades assistenciais cadastradas, a maioria de Rio Grande e Pelotas. Parte do crustáceo foi encaminhada para distribuição em Santa Maria.

Fonte: Correio do Povo, 09-03-2012. Cidades

sexta-feira, 9 de março de 2012

Emissário subaquático tem 7 quilômetros instalados no Guaíba

No total, serão assentados, no leito do Lago Guaíba, 10 km de tubos
(Foto: Luciano Lanes/PMPA)

O Dmae completou na terça-feira, 6, a instalação de mais quatro tubulações do emissário subaquático no leito do Lago Guaíba, completando sete quilômetros. Nesta etapa, o trabalho para o assentamento de 4 km de tubulações foi realizado durante dois dias e faz parte dos 24 contratos de obra do Projeto Integrado Socioambiental (Pisa). A próxima instalação está prevista para a semana que vem. No total, serão assentados, no leito do Lago Guaíba, 10 km de tubos com 515 metros cada. (fotos)

Obstáculos à navegação criados pela dragagem do Pisa
Foto: Danilo Chagas Ribeiro

A Estação de Tratamento de Esgotos Serraria, que é parte fundamental desta obra, já conta com 50% da execução concluída. É nesta estação, com projeção para atender ao crescimento da cidade nos próximos 50 anos, que será tratado cerca de metade do esgoto produzido pela cidade, correspondente a mais de quatro mil litros por segundo. O andamento das obras do Pisa, que já tem 85% dos trabalhos concluídos, pode ser acompanhado pelo site www.portoalegre.rs.gov.br/PISA.

NOTA DO EDITOR

As fotos acima mostram que existe sério problema de sinalização náutica nessa obra de grande envergadura, tanto no local de dragagem, onde está sendo lançado o emissário subaquático, como na área de despejo, onde foram criados bancos (entulhos) que representam perigo à navegação diurna (bancos sem visibilidade) e noturna (nesse caso, até os bancos visíveis constituem perigos à navegação). Veja abaixo a ilustração dessas situações de perigo para os diversos tipos de embarcações (esporte/recreio, pesca e de serviço público).

Figura 1 - Situação atual (irregular) popa.com.br

Figura 2 - Situação exigível (regular) popa.com.br

A responsabilidade pela execução da obra, que deve ser feita de acordo com o contrato e demais documentos pertinentes, é da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (DMAE e demais órgãos envolvidos com o projeto Pisa), e a responsabilidade pela fiscalização desse tipo de obra - dragagem com a devida sinalização náutica, no local e na área de despejo, é da Marinha do Brasil (Veja no link www.dpc.mar.mil.br o conteúdo da Normam-11).

Essa situação, além de representar um grande perigo à navegação atual, também poderá inviabilizar a ampliação do transporte hidroviário de passageiros (catamarã)  para outros bairros da Capital no futuro próximo.